Fachin pode liberar sigilo do Inquérito das Fake News de forma gradual, avaliam ministros do STF

Fachin pode liberar sigilo do Inquérito das Fake News de forma gradual, avaliam ministros do STF

Parte dos integrantes do Supremo Tribunal Federal avalia que o presidente da Corte, Edson Fachin, deve promover a retirada gradual do sigilo que hoje cobre o Inquérito das Fake News. A expectativa, segundo esses ministros, é que a abertura ocorra ao longo do tempo. Fachin assumiu a condução das apurações depois de afastar Alexandre de Moraes da relatoria.

A avaliação se apoia em atitudes do próprio presidente desde o início da crise. Fachin tem demonstrado disposição para reduzir os espaços de sigilo quando entende haver amparo jurídico, mas evita liberar os processos de forma indiscriminada.

O precedente citado é o caso Master. Em 10 de setembro, Fachin solicitou a André Mendonça que suspendesse o segredo da Petição n° 15.556 e de todos os procedimentos ligados a ela, mantendo em sigilo apenas as diligências consideradas essenciais. No dia seguinte, o STF liberou pouco mais de 25 gigabytes de conteúdo, entre documentos, vídeos e áudios, num conjunto de cerca de 4 mil arquivos.

A leitura de uma fatia dos ministros é que Fachin poderá aplicar ao Inquérito das Fake News estratégia parecida: analisar o material por partes e liberar as peças que já possam vir a público sem prejudicar apurações em andamento, diligências ainda não concluídas ou dados protegidos.

A aposta também considera a quantidade e a delicadeza do acervo reunido ao longo dos anos. Instaurado em 2019 pelo então presidente Dias Toffoli, o inquérito acabou se transformando, segundo a apuração, na ferramenta mais potente do STF, empregada como instrumento contra a oposição bolsonarista. Em episódios mais recentes, nem integrantes do próprio tribunal escaparam: Moraes chegou a se valer do procedimento para atacar Mendonça.

O debate sobre os sigilos teve origem no grupo do decano Gilmar Mendes. Mendes, Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino pressionaram Fachin para que ele determinasse a Mendonça o levantamento do segredo das apurações sobre as fraudes do extinto Banco Master e sobre os desvios de aposentadorias no Instituto Nacional do Seguro Social. Mendonça atendeu aos pedidos e tornou os processos públicos. O agravamento da divisão interna no tribunal veio com a divulgação de um relatório.

Principais informações

  • Ministros do STF esperam que Fachin derrube o sigilo do Inquérito das Fake News em etapas, ao longo do tempo
  • Fachin assumiu a condução das apurações após afastar Alexandre de Moraes da relatoria
  • No caso Master, Fachin pediu a Mendonça a suspensão do sigilo da Petição n° 15.556, e o STF liberou mais de 25 gigabytes em cerca de 4 mil arquivos
  • O inquérito foi instaurado em 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli
  • A divisão interna na Corte se agravou após a divulgação de um relatório

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