Luís Pablo diz que investigação sobre Dino expõe relação com a imprensa conhecida no Maranhão

Luís Pablo diz que investigação sobre Dino expõe relação com a imprensa conhecida no Maranhão

Em entrevista ao Oeste Sem Filtro na quarta-feira, 19, o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida afirmou que a investigação aberta a partir de suas reportagens sobre o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez o Brasil conhecer uma relação com a imprensa que já era conhecida no Maranhão.

“O Brasil está conhecendo agora quem é Flávio Dino”, disse. “A gente que já faz cobertura política no nosso Estado passou por isso por muito tempo enquanto ele governou, por meio de processo.”

Luís Pablo afirmou que foi processado durante a gestão de Dino no governo estadual e que outros jornalistas também enfrentaram ações judiciais. Ele citou o caso de José Fernandes Linhares Júnior, condenado em primeira instância, em julho, a dois anos e 15 dias de detenção por injúria e difamação contra Dino, a partir de uma publicação de 2021 sobre a vacinação contra a covid-19 em São Luís. A ação foi proposta pelo Ministério Público do Estado.

Na entrevista, o jornalista também criticou decisões de Dino que suspenderam o preenchimento de duas vagas de conselheiro titular no Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA). Segundo Pablo, as ações partiram do Solidariedade por meio do deputado estadual Othelino Neto, marido da senadora Ana Paula Lobato, suplente de Dino que assumiu a cadeira no Senado depois da indicação dele ao STF.

“A leitura no Estado do Maranhão é que todas as decisões do ministro Flávio Dino têm digitais políticas”, afirmou. Ele mencionou ainda Marcelo Tavares, atual presidente do TCE-MA, descrito como antigo aliado político de Dino, que foi deputado estadual e chegou ao Tribunal de Contas durante o governo de Dino. “É uma série de decisões que coloca em xeque a conduta do ministro Flávio Dino no Maranhão”, completou.

Luís Pablo foi alvo de busca e apreensão em março, em investigação conduzida por Alexandre de Moraes a partir de reportagens sobre o uso de um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por Dino. O material recolhido levou à identificação de Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Estado, como uma das fontes do jornalista. Moraes determinou posteriormente buscas contra Cutrim e o advogado Diogo Diniz Lima. Raimundo Cutrim está em prisão domiciliar por determinação de Dino.

O jornalista nega ter seguido ou monitorado Dino e afirma ter recebido o material de uma fonte em 1º de novembro. Luís Pablo também nega relação entre uma transferência de R$ 100 mil e as reportagens. Segundo ele, o valor foi um empréstimo recebido em setembro e devolvido em fevereiro. “Como é que você vai ser pago por algo que você não tem conhecimento?”, questionou. Ele sustenta que, na época da publicação, havia apenas um documento solicitando apoio de segurança para Dino, sem pedido específico de cessão do veículo, e que uma nova solicitação referente ao carro surgiu depois da reportagem. O jornalista tenta obter a documentação por meio da Lei de Acesso à Informação.

Principais informações

  • Luís Pablo diz que o Brasil conhece agora quem é Flávio Dino a partir da investigação sobre suas reportagens.
  • O jornalista afirma ter sido processado durante a gestão de Dino e cita caso de outro jornalista condenado.
  • Dino suspendeu o preenchimento de duas vagas no TCE-MA, segundo Pablo, por meio de ações do Solidariedade.
  • Luís Pablo nega ter seguido ou monitorado Dino e afirma que R$ 100 mil foram um empréstimo devolvido.
  • O jornalista tenta obter via Lei de Acesso à Informação a documentação sobre o pedido do veículo do TJ-MA.

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