Filho de ex-presidente do Equador é preso por narcotráfico em operação com DEA e Interpol

Jacobo Bucaram Pulley, filho do ex-presidente do Equador Abdalá Bucaram, foi preso na quarta-feira, 4, em Guayaquil, sob suspeita de envolvimento com o narcotráfico. A detenção ocorreu em uma operação internacional que também prendeu outras quatro pessoas.
A ação foi coordenada por autoridades equatorianas e panamenhas, com participação da agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA) e da Interpol. Três suspeitos foram detidos no Equador e dois no Panamá. Todos os cinco constam na lista de procurados da Interpol, por meio de Notificação Vermelha, e são requeridos pela Justiça norte-americana por supostos delitos ligados ao tráfico de drogas. As autoridades preparam agora a extradição do grupo para os Estados Unidos.
O chefe do Ministério do Interior do Equador, John Reimberg, foi quem informou sobre a inclusão dos cinco na lista de procurados da Interpol.
Além de Bucaram Pulley, foram presos em Guayaquil Geovanny Antonio Fernández Menéndez e William José Briones López. No Panamá, as detenções recaíram sobre Jaime Estrada Bonilla e Jaime Estrada Medranda.
Nesta quinta-feira, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou detalhes da investigação. A acusação afirma que os cinco equatorianos participaram de uma conspiração para enviar grandes quantidades de cocaína ao território norte-americano ao longo de mais de uma década.
Segundo o Departamento de Justiça, Jacobo Bucaram teria participado de negociações para a exportação de uma carga de aproximadamente duas toneladas de cocaína do Equador para o México. O grupo encaminharia a droga depois aos Estados Unidos.
A investigação envolve também Jaime Estrada Medranda, ex-integrante da Assembleia Nacional do Equador, e seu pai, Jaime Estrada Bonilla, ex-prefeito de Manta. Conforme a acusação, os dois usaram uma empresa do setor de pescados para transportar cocaína em contêineres de cargas comerciais. O documento cita uma apreensão de cerca de 1,4 tonelada de cocaína no porto de Guayaquil, em maio de 2023, em um contêiner ligado à empresa dos investigados.
Os cinco homens respondem nos Estados Unidos por conspiração para importar cocaína e por crimes relacionados à posse de armas automáticas. A acusação prevê penas que podem chegar à prisão perpétua. O Departamento de Justiça ressalta que as denúncias ainda precisam ser comprovadas e que os acusados são considerados inocentes até eventual condenação.
Jacobo Bucaram também responde a um processo na Justiça equatoriana. Em setembro, ele e o pai foram condenados em primeira instância a nove anos e quatro meses de prisão por participação em uma organização criminosa envolvida na comercialização irregular de testes de covid-19 e outros insumos médicos durante a pandemia. A investigação apontou que o esquema atuou de março a agosto de 2020 e obteve ganhos com a venda de cerca de 21 mil testes e materiais de saúde. A defesa contestou a decisão e o caso é objeto de recurso.
Abdalá Bucaram governou o Equador de 1996 a 1997. O ex-presidente criticou a prisão do filho e atribuiu a medida a perseguição política, classificando as acusações como infames em publicação nas redes sociais. Em 2022, os Estados Unidos declararam Abdalá Bucaram, sua mulher e três de seus filhos inelegíveis para entrar no país, justificando a decisão com acusações de participação em atos significativos de corrupção.
Principais informações
- Jacobo Bucaram Pulley, filho de Abdalá Bucaram, foi preso na quarta-feira, 4, em Guayaquil
- Outras quatro pessoas foram detidas: três no Equador e duas no Panamá
- Os cinco têm Notificação Vermelha da Interpol e são requeridos pela Justiça dos EUA
- A acusação americana cita conspiração para enviar cocaína aos EUA por mais de uma década
- Penas podem chegar à prisão perpétua, e a defesa ainda pode contestar as denúncias

