ADRs da Petrobras caem 12% e EWZ recua 19,63% em Nova York após vitória de Lula

ADRs da Petrobras caem 12% e EWZ recua 19,63% em Nova York após vitória de Lula

Os ADRs da Petrobras caíam 12% por volta das 22h deste domingo (25), no after hours em Nova York, após a vitória de Lula na eleição presidencial. No mesmo horário, o EWZ, principal fundo de índice do Brasil negociado nos Estados Unidos, despencava 19,63%. A bolsa brasileira só abre oficialmente nesta segunda-feira (26).

Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 51,78% dos votos, contra 48,22% do adversário. Na sexta-feira, o Ibovespa havia fechado em alta de 0,47%, aos 205.082,56 pontos, em uma rodada final de alocações. Parte dos investidores mirava uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, visto pela maioria do mercado financeiro como mais favorável a um ajuste nas contas públicas.

Os ADRs da Vale recuavam 4,4%. Em Tóquio, o Next Funds Ibovespa Linked, principal ETF brasileiro negociado na bolsa local, operava em queda de 11,80%. No mercado futuro da CME, em Chicago, o real caía mais de 11%, e o contrato para novembro recuava 10,59%, em pouco mais de 70,3 mil negociações. O dólar implícito para segunda-feira estaria em R$ 5,50.

Para esta segunda-feira, muitos analistas preveem acionamento do circuit breaker na bolsa brasileira, disparada dos juros e abertura do dólar na casa de R$ 5,30. O mecanismo da B3 interrompe temporariamente as negociações em momentos de queda brusca e é ativado quando o Ibovespa registra recuo de 10% em relação ao fechamento do dia anterior, com paralisação inicial de 30 minutos.

"Enxergamos volatilidade no câmbio, que deve ficar em torno de R$ 5,40 de forma sustentada em 2027. O crescimento seria um pouco maior, mas a inflação brasileira deve ficar mais persistente em 2027, e o Banco Central terá menos flexibilidade para cortar juros", afirma Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Antes do resultado das urnas, parte dos analistas previa ajuste nos preços, com dólar em alta e juros futuros mais elevados até a apresentação de um plano econômico crível. Outros afirmavam que o rumo das contas públicas pesa mais do que o resultado eleitoral, em um quadro de dívida bruta em torno de 83% do PIB. O mercado aguarda metas fiscais, definição da equipe econômica e propostas para o Congresso, onde a bancada de direita cresceu de 248 para 260 deputados e de 32 para 48 senadores. O cenário é um desafio para o quarto governo de Lula.

Na bolsa, o cenário tende a favorecer uma postura mais seletiva, com maior atenção à geração de caixa, ao nível de endividamento, à previsibilidade das receitas e à exposição cambial de cada companhia.

Na construção civil, a continuidade de políticas habitacionais e de mecanismos de financiamento voltados à população de menor renda poderia sustentar a demanda por imóveis populares, o que pode dar maior resiliência relativa a Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) frente a empresas dependentes do financiamento de média e alta renda. "O desempenho do segmento, entretanto, continuará condicionado às regras dos programas habitacionais, aos subsídios, aos custos de construção e à capacidade de execução dos projetos", afirma Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

Setores defensivos e empresas com receitas previsíveis também podem ganhar relevância, caso de Caixa Seguridade (CXSE3) e TIM (TIMS3). Petrobras (PETR4), BB Seguridade (BBSE3) e Telefônica Brasil (VIVT3) podem ser avaliadas pela geração de caixa e pela capacidade de remunerar acionistas. No caso da Petrobras, decisões de investimento, política de preços e influência do governo impedem que a companhia seja tratada como proteção automática contra o risco fiscal.

Exportadoras e companhias com receitas relevantes em moeda estrangeira, como Embraer (EMBJ3), Suzano (SUZB3) e Gerdau (GGBR4), poderiam apresentar resiliência relativa diante de eventual desvalorização cambial, embora os efeitos dependam de custos dolarizados, preços internacionais e demanda global.

Principais informações

  • ADRs da Petrobras caíam 12% e o EWZ recuava 19,63% no after hours de Nova York
  • ADRs da Vale recuavam 4,4% e o ETF brasileiro em Tóquio caía 11,80%
  • Real caía mais de 11% no mercado futuro de Chicago, com dólar implícito em R$ 5,50
  • Analistas preveem circuit breaker, disparada dos juros e dólar na casa de R$ 5,30
  • Dívida bruta em torno de 83% do PIB e bancada de direita ampliada no Congresso

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