Brasil volta a ser devedor internacional após 19 anos, com dívida externa líquida de US$ 5,1 bilhões

Brasil volta a ser devedor internacional após 19 anos, com dívida externa líquida de US$ 5,1 bilhões

O Brasil voltou à condição de devedor internacional em 2026, depois de 19 anos na posição de credor, segundo dados do Banco Central citados pelo Estadão. As reservas internacionais, de US$ 402 bilhões, ficaram abaixo da dívida externa brasileira, avaliada em US$ 407,1 bilhões. Com isso, a dívida externa líquida passou a US$ 5,1 bilhões, após ter ficado negativa entre 2007 e 2025.

O quadro não gera preocupação imediata entre economistas e agências de classificação de risco, mas é monitorado. Segundo a reportagem, a dívida externa pode se tornar uma fonte de vulnerabilidade se o déficit em transações correntes continuar elevado e houver saída relevante de dólares, como ocorreu no fim de 2024. Naquele ano, o Banco Central realizou a maior intervenção da história do regime de câmbio flutuante, em meio a um estresse do mercado relacionado à política fiscal do governo Lula.

No atual governo, a dívida externa cresceu 27,4%, avanço superior ao aumento de 15,8% das reservas. Ainda assim, as métricas externas indicam um país protegido do risco de fuga de capitais: as reservas cobrem mais de três vezes os vencimentos de curto prazo.

Para as agências de classificação de risco, o principal foco de risco do país segue sendo o desequilíbrio das contas públicas. O vice-presidente sênior da Moody's, William Foster, disse ao Estadão que juros altos por período prolongado e a credibilidade limitada da política fiscal reduziram a capacidade do governo de administrar o custo da dívida.

Já o diretor sênior da Fitch Ratings, Todd Martinez, afirmou que o Brasil ainda se destaca como um soberano com colchões externos muito robustos e baixa dependência dos mercados externos em moeda estrangeira. Atualmente, o país está a um degrau do grau de investimento na avaliação da Moody's e a dois degraus na da Fitch e na da S&P Global.

Principais informações

  • Reservas de US$ 402 bilhões ficaram abaixo da dívida externa de US$ 407,1 bilhões
  • Dívida externa líquida passou a US$ 5,1 bilhões, após ficar negativa de 2007 a 2025
  • No atual governo, dívida externa subiu 27,4% e reservas, 15,8%
  • Reservas cobrem mais de três vezes os vencimentos de curto prazo
  • Agências de rating apontam o desequilíbrio fiscal como principal risco para o país

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *