Flávio Bolsonaro intensifica discurso de vitória no 1º turno a menos de um mês da eleição

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência passou a verbalizar com frequência crescente a aposta em uma vitória já no primeiro turno. Aliados avaliam que o senador atravessa um dos melhores momentos da disputa, cenário que passou a ser explorado publicamente por ele.
Em transmissão ao vivo com aliados, Flávio afirmou que vai "ganhar essa eleição no primeiro turno". Na véspera, em ato da direita realizado em São Paulo, já havia pedido o apoio da base para vencer no primeiro turno e disse que queria "ser o libertador da pátria". Declarações no mesmo sentido foram feitas em uma live de 3 de setembro e durante sabatina em 28 de agosto.
O diagnóstico interno é de que episódios recentes deixaram de atingir apenas a oposição e passaram a gerar desgaste para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo essa leitura, as crises envolvendo primeiro o filho mais velho de Lula e, em seguida, o Supremo Tribunal Federal ampliaram o alcance do desgaste, alcançando a imagem do próprio petista. A avaliação menciona a atuação dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino e a posição de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.
Com Flávio Bolsonaro aparecendo empatado com Lula em simulações de segundo turno, a estratégia passou a ser destacar o crescimento nas pesquisas e mirar uma virada já na primeira rodada de votação. Em Juiz de Fora (MG), o candidato classificou como motivo de "alegria" o fato de aparecer à frente de Lula nas sondagens do estado, onde historicamente quem vence costuma levar a eleição presidencial.
O discurso de vitória antecipada também cumpre função de mobilização. Ao projetar um triunfo no primeiro turno, o senador busca transmitir a aliados e eleitores a percepção de que a disputa está aberta e de que há espaço para avançar nas próximas pesquisas.
Apesar do otimismo, integrantes dos dois lados reconhecem que a disputa segue completamente em aberto a menos de um mês do pleito, marcado para 4 de outubro. Uma vitória já na primeira rodada é considerada difícil, ainda que a campanha mantenha o tom de confiança.
Mesmo em momento positivo, a campanha mantém preocupações com o risco de que ações futuras prejudiquem o candidato, especialmente depois que o caso Dark Horse e as conversas com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, saíram de foco. No ato de segunda-feira em São Paulo, Flávio declarou: "Vão tentar uma terceira facada, não só em mim, mas também em meus aliados". Para ele, a primeira foi o ataque sofrido por seu pai, Jair Bolsonaro, na campanha de 2018; a segunda, a prisão do pai determinada por Alexandre de Moraes em 2025.
Principais informações
- Flávio Bolsonaro (PL) tem repetido em lives, atos e sabatinas que pretende vencer a eleição já no primeiro turno
- Em ato da direita em São Paulo, pediu apoio da base e disse querer "ser o libertador da pátria"
- A campanha avalia que crises envolvendo o STF e o filho mais velho de Lula atingiram também a imagem do petista
- Flávio aparece empatado com Lula em simulações de segundo turno e à frente no estado de Minas Gerais
- Aliados dos dois lados consideram a disputa aberta e uma vitória no primeiro turno difícil

