Protesto contra comércios judeus na Filadélfia tem condenação de prefeita e reforço policial

Um grupo que se identifica como Philly Biking On The Left convocou para este domingo, 8, um protesto contra seis estabelecimentos comerciais de proprietários judeus na Filadélfia, no Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. A convocação pede boicote aos negócios, com o objetivo de forçar o fechamento deles, e trata os locais como "estabelecimentos sionistas". Os comércios ficam nas proximidades da Praça Rittenhouse, região central da cidade com restaurantes, lojas e prédios residenciais.
A divulgação do ato foi feita em cartazes espalhados pelas esquinas do bairro e em publicações no Instagram, segundo a rádio pública WHYY. Nas publicações, o grupo chama ciclistas a participar e dirige ofensas aos donos dos comércios. Policiais e comerciantes afirmam não saber o que os integrantes pretendem fazer ao passar em frente aos estabelecimentos.
A data escolhida antecede o aniversário da Noite dos Cristais, episódio ocorrido em 9 e 10 de novembro de 1938, quando nazistas saquearam 7,5 mil comércios de judeus na Alemanha, destruíram casas, escolas e cemitérios e incendiaram mais de mil sinagogas. O episódio é considerado um marco da perseguição que levou ao Holocausto.
A prefeita Cherelle Parker condenou o ato em nota divulgada na quinta-feira, 5. Ela afirmou que o direito de protestar existe, mas que escolher comercios de judeus como alvo não tem lugar na cidade. "Ninguém deve ser alvo, ameaçado ou levado a se sentir indesejado por causa de sua fé, identidade ou origem", declarou. A prefeita determinou reforço do policiamento no local e proteção a moradores, comércios e templos religiosos, e disse que ameaças ou atos ilegais serão responsabilizados. "Deixo claro: a segurança é inegociável." Senadores da Pensilvânia e o procurador-geral do Estado também condenaram o boicote. A publicação da prefeita recebeu mais de mil comentários em redes sociais.
Os proprietários dos estabelecimentos citados dizem que vão abrir normalmente no domingo. O ex-vereador Alan Domb, dono de um restaurante e delicatéssen da região, pretende permanecer no local durante o protesto. "Estou meio acostumado a ser alvo", disse, acrescentando que a maioria dos donos de restaurante não espera esse tipo de situação. O chef Yehuda Sichel, dono de outro restaurante da lista, afirmou que não vai se intimidar: "Não seremos aterrorizados. Não vamos a lugar nenhum."
Para Michael Balaban, da Federação Judaica da Grande Filadélfia, principal entidade da comunidade na cidade, o ato é discriminação. Ele argumentou que quem deseja protestar contra a política de um governo deveria procurar uma embaixada, e não um restaurante. "Isso é ódio aos judeus disfarçado de protesto contra um governo", afirmou.
A Liga Antidifamação, organização norte-americana de combate ao antissemitismo, pediu que a população consuma nos comércios citados como forma de resposta. Moradores também organizam um roteiro gastronômico pelos locais para apoiar os proprietários. Na sexta-feira, 6, a federação promoveu um almoço de solidariedade em um restaurante israelense do centro da cidade, com a presença de autoridades municipais e estaduais, entre elas a primeira-dama da Pensilvânia, Lori Shapiro.
A principal associação de ciclistas da Filadélfia negou qualquer ligação com o grupo. "Acreditamos que bicicletas nunca devem ser usadas como meio de intimidar alguém", disse a diretora-executiva da entidade, Lana Harshaw. O pastor batista Michael Faulkner, diretor-executivo do Conselho do Clero da Filadélfia, afirmou que a cidade não pode ignorar o ato, mesmo que o grupo seja pouco conhecido, e classificou a situação como risco grande demais. A entidade pediu o cancelamento do protesto.
Principais informações
- Grupo Philly Biking On The Left convocou protesto para domingo, 8, contra seis comércios de donos judeus na Filadélfia
- A convocação pede boicote aos estabelecimentos e chama os locais de "sionistas"
- A prefeita Cherelle Parker condenou o ato e determinou reforço do policiamento na região da Praça Rittenhouse
- O protesto ocorre na véspera do aniversário da Noite dos Cristais, em 1938
- Empresários dizem que vão abrir normalmente, e entidades judaicas organizam atos de apoio aos comércios

