Presidente interina da Venezuela confirma acordo petrolífero com os EUA

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou nesta sexta-feira (28) um acordo petrolífero com os Estados Unidos, que classificou como um marco histórico nas relações bilaterais. O anúncio foi feito em comunicado divulgado nas redes sociais, quase nove meses depois do sequestro do presidente Nicolás Maduro pelo Exército norte-americano.

Segundo Rodríguez, o acordo permitirá um aumento considerável da produção de petróleo com a participação de operadores privados. O protocolo prevê o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com potencial comprovado de 65 bilhões de barris, e inclui investimentos de mais de US$ 100 bilhões e mais de US$ 209 bilhões em receitas fiscais para o Estado.

A dirigente afirmou que o acordo foi assinado graças ao fortalecimento das relações entre Caracas e Washington, que retomaram formalmente os laços diplomáticos em março, após a captura de Maduro. Ela disse que o acordo facilitará um fluxo significativo de investimentos para a recuperação e reconstrução da infraestrutura estratégica da indústria de hidrocarbonetos venezuelana.

A Venezuela detém uma das maiores reservas de petróleo do mundo, estimada em 303 bilhões de barris, cerca de 17% da oferta mundial, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA. Apesar disso, o país produz apenas cerca de 1% do petróleo mundial, devido às fracas infraestruturas. Na segunda-feira (24), Rodríguez havia informado que a produção atual é de 1,23 milhão de barris por dia, o nível mais alto desde fevereiro de 2019.

Horas antes do anúncio, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os Estados Unidos fecharam o maior acordo de petróleo da história mundial, para assumir o controle de 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas. Trump enfrenta pressão crescente para lidar com os altos preços da gasolina, enquanto a guerra no Irã completa seis meses. As reservas estratégicas de petróleo dos EUA caíram em agosto para menos de 300 milhões de barris, uma redução de mais de 100 milhões desde o início de 2026.

O acordo reforça suspeitas de articulação entre autoridades americanas e venezuelanas antes do sequestro de Nicolás Maduro. O ex-presidente foi capturado em uma ação do Exército dos EUA e retirado do país na madrugada de 3 de janeiro de 2026. A ação foi criticada pelo Brasil e por outros países, e parte da imprensa internacional a considerou ilegal e imprudente.

A última invasão dos EUA a um país latino-americano ocorreu em 1989, no Panamá, quando militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega. Os Estados Unidos também acusaram Maduro de liderar um suposto cartel de drogas, o De Los Soles, sem apresentar provas, e especialistas questionaram a existência do grupo. Após a prisão de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu a presidência. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão presos em um presídio federal em Nova York.

Principais informações

  • Delcy Rodríguez confirmou acordo petrolífero com os EUA nesta sexta-feira (28).
  • O protocolo prevê o desenvolvimento de 17 campos com potencial de 65 bilhões de barris.
  • Investimento estimado é de mais de US$ 100 bilhões, com US$ 209 bilhões em receitas fiscais.
  • Donald Trump anunciou que os EUA assumirão controle de 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas.
  • O acordo reforça suspeitas de articulação antes do sequestro de Nicolás Maduro.

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