PF apura se Lulinha intermediou negócios de lobistas e empresários no governo

A Polícia Federal investiga se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atuou como intermediador de negócios de lobistas e empresários junto ao governo federal. A existência do inquérito foi revelada pela revista Veja. A apuração ganhou novos contornos após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a quebra do sigilo telemático da lobista Roberta Luchsinger.
Relatório da PF cita mensagens e documentos em nuvem que ampliaram as suspeitas sobre um núcleo formado por Roberta, Lulinha e Fernando Bittar, amigo e antigo sócio do filho do presidente. Em uma conversa, a lobista afirma que os três atuavam em conjunto e diz que Lulinha “só entra em campo quando precisa”. Os investigadores consideram que ele tinha papel relevante no grupo.
Um dos episódios analisados envolve a tentativa de regulamentar a venda de medicamentos à base de canabidiol. O grupo pretendia viabilizar um contrato superior a R$ 1 bilhão com o Ministério da Saúde. Roberta, que trabalhava para Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, investigado por fraudes contra aposentados, teria buscado ajuda de Lulinha. O então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, teria marcado reunião entre a lobista e Swedenberger Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Depois do encontro, Marcola recebeu uma minuta sobre a produção de canabidiol. Roberta também pagou despesas pessoais do chefe de gabinete, somando R$ 217 mil entre fevereiro e março de 2024, incluindo cartões, seguros, financiamento de veículo e joias. Marcola afirmou que os valores eram de um empréstimo pessoal já quitado.
A investigação alcança ainda Dataprev e Telebras. A PF analisa conversas sobre como pressionar Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência no governo Dilma Rousseff, para atender interesses do grupo. Na Telebras, Roberta e Lulinha trataram de Kalil Bittar, irmão de Fernando Bittar, que teria usado o nome do filho do presidente para tentar obter contrato com a estatal. Mensagens projetam ganhos de R$ 100 milhões em 2024 e orientam entregas de dinheiro em espécie.
As suspeitas surgiram com a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025 para apurar descontos indevidos em aposentadorias. O caso motivou uma CPMI no Congresso e, segundo as investigações, movimentou bilhões. Uma testemunha chegou a afirmar que Lulinha favoreceu o Careca e Roberta, mas sem provas. Com as mensagens, a PF apura se Lulinha usou a proximidade com o presidente para facilitar negócios no governo.
Lulinha nega irregularidades. O presidente Lula diz que o filho é inocente e defende a continuidade das apurações: “Se tiver alguma coisa vai pagar o preço”.
Principais informações
- A PF investiga se Lulinha intermediou negócios de lobistas e empresários com o governo federal.
- Mensagens obtidas com a quebra de sigilo de Roberta Luchsinger ampliaram as suspeitas.
- O grupo teria tentado viabilizar um contrato de R$ 1 bilhão com o Ministério da Saúde para produção de canabidiol.
- Roberta pagou R$ 217 mil em despesas pessoais de Marcola, chefe de gabinete de Lula.
- Lulinha nega irregularidades; Lula afirma que o filho é inocente.

