PCC: últimos suspeitos de planejar ataque contra promotor são presos em São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo prendeu os dois últimos suspeitos investigados por integrar uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC) responsável por monitorar autoridades públicas e planejar possíveis ataques. As prisões ocorreram no interior paulista e encerraram a busca pelos quatro investigados no caso.

Os presos são Victor Hugo da Silva, conhecido como “VH” ou “Falcão”, e Adilson Audinir Oliveira Júnior, chamado de “Ju Machado”. Ambos foram detidos durante a Operação Recon, em ações realizadas em Presidente Prudente e Álvares Machado.

A investigação aponta que o grupo teria acompanhado a rotina do promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do diretor de presídios Roberto Medina, reunindo informações que poderiam ser utilizadas para a execução de atentados contra as autoridades.

Suspeitos teriam monitorado autoridades

Segundo o Ministério Público de São Paulo, os investigados teriam coletado informações sobre endereços, rotinas, trajetos, veículos e familiares das autoridades. Parte dos dados teria sido obtida por meio de pesquisas na internet, enquanto outras informações foram reunidas por meio de vigilância e registros em vídeo e fotografia.

As informações, segundo a investigação, seriam compartilhadas entre integrantes do grupo e encaminhadas à chamada “Sintonia Restrita”, estrutura apontada pelas autoridades como responsável pela organização de atentados dentro do PCC.

A apuração ganhou força depois que Victor Hugo foi preso por tráfico de drogas, em 2025. A análise do celular apreendido com ele teria revelado informações relacionadas ao monitoramento das autoridades e permitido aos investigadores avançar na identificação dos demais envolvidos.

Quatro pessoas foram denunciadas

Além de Victor Hugo e Adilson Audinir, outros dois investigados já estavam presos: Wellisson Rodrigo Bispo de Almeida, conhecido como “Corinthinha”, e Sérgio Garcia da Silva, chamado de “Messi”.

De acordo com as investigações, cada integrante teria desempenhado uma função dentro da estrutura. Os dados reunidos incluíam informações sobre os deslocamentos e a rotina das autoridades e de seus familiares.

O Ministério Público pediu a prisão preventiva dos quatro investigados e também solicitou que eles fossem submetidos ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), alegando risco à segurança dos agentes públicos.

Gakiya é alvo histórico do PCC

O promotor Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), é conhecido por sua atuação no combate ao PCC e há anos está sob ameaça da organização criminosa.

Gakiya participou de investigações contra a facção e esteve envolvido em ações que contribuíram para o isolamento de suas principais lideranças no sistema penitenciário federal. A ameaça contra o promotor já havia aparecido em outras investigações sobre planos de atentados contra autoridades.

O caso atual demonstra, segundo as autoridades, que o monitoramento de agentes públicos continuava sendo realizado pela organização criminosa.

Investigação revelou estrutura de monitoramento

A apuração também identificou que os suspeitos não se limitavam a acompanhar pessoalmente os alvos. Segundo o Ministério Público, pesquisas na internet, registros fotográficos e vídeos foram utilizados para reunir informações capazes de facilitar o acompanhamento das autoridades.

A investigação procura esclarecer ainda como os dados eram repassados dentro da estrutura do PCC e qual seria o estágio efetivo do suposto plano de ataque.

As prisões dos quatro investigados representam, segundo as autoridades, um avanço na tentativa de desarticular a célula responsável pelo monitoramento.

Operação ocorreu no interior paulista

As duas prisões realizadas nesta etapa ocorreram durante a Operação Recon, que teve como alvos integrantes do grupo investigado. Victor Hugo foi localizado em Presidente Prudente, enquanto Adilson Audinir foi preso em Álvares Machado.

Com as duas novas prisões, todos os quatro investigados apontados pelo Ministério Público como integrantes da célula passaram a estar sob custódia.

O caso segue sendo investigado pelas autoridades, que deverão analisar o material apreendido e aprofundar a apuração sobre a estrutura utilizada pelo PCC para monitorar agentes públicos e preparar possíveis atentados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *