Petição enviada a Gilmar Mendes pede anulação dos votos de Deltan Dallagnol no Paraná

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, recebeu neste sábado (3.out.2026) uma petição que pede a nulidade dos votos dados a Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado pelo Paraná. O documento foi protocolado na reclamação 94.666, já sob relatoria do ministro, sem passar pela Presidência da Corte.
O caso interessa a Gleisi Hoffmann (PT), que disputa uma das duas vagas do Paraná. Se os votos de Deltan forem anulados, deixam de contar na definição das vagas do estado.
Pesquisa Real Time Big Data de 11 a 15 de setembro mostrava Deltan à frente, com 19%, seguido por Alexandre Curi (Republicanos) e Filipe Barros (PL), com 18% cada, e Gleisi Hoffmann (PT) com 16%, em empate técnico na margem de erro de 2 pontos. Se Deltan ficar entre os dois mais votados e perder o mandato depois, haveria eleição suplementar.
Assinam a petição os advogados Bruno Soares Figueiredo, Luiz Eduardo Peccinin, Juliana Bertholdi e Dylliardi Alessi. Peccinin tem histórico de atuação para o PT no Paraná e representou a Federação Brasil da Esperança na ação que buscou cassar o mandato do senador Sergio Moro (União Brasil-PR).
Os advogados pedem a extensão de efeitos de decisão anterior de Gilmar e afirmam que o TSE reconheceu a inelegibilidade de Deltan por oito anos, contados de 3 de novembro de 2021. Solicitam que o ministro determine, antes do fim da votação deste domingo (4.out), que a candidatura conste como indeferida com recurso, que os votos sejam nulos ou anulados sub judice e que Deltan não seja proclamado nem diplomado até o julgamento do TSE. Subsidiariamente, querem a anulação dos votos em nova reclamação distribuída por prevenção a Gilmar.
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná deferiu o registro de Deltan por 4 votos a 3, e a decisão é alvo de recurso no TSE. Em setembro, a Corte Eleitoral suspendeu os atos de campanha do candidato; na sexta-feira (2.out), a Procuradoria Geral Eleitoral se manifestou pela manutenção do registro.
Em nota, Deltan afirmou que o pedido é uma tentativa do PT de interferir no resultado da eleição. Disse que o partido sabe que perde no voto popular e tenta fraudar as eleições. Citou decisão de 1º de outubro do ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, que rejeitou a anulação cautelar de seus votos.
A petição foi protocolada um dia depois de o presidente do STF, Edson Fachin, determinar que pedidos de terceiros em processos em andamento passem pela Presidência antes de chegar aos ministros, regra que apenas explicita procedimentos já previstos no Regimento Interno e em resolução de 2020. O protocolo do pedido sobre Deltan registra envio às 13h01 deste sábado.
A assessoria do STF afirmou que o que já está nos gabinetes não é alcançado pela resolução, que tem efeitos para frente. Segundo a assessoria, o pedido chegou concluso ao gabinete de Gilmar e, por ser tema urgente, o ministro proferiu a decisão.
Principais informações
- Gilmar Mendes recebeu petição que pede a nulidade dos votos de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná.
- O pedido foi protocolado na reclamação 94.666, relatada por Gilmar, sem passar antes pela Presidência do STF.
- Gleisi Hoffmann (PT), que disputa uma das vagas do Paraná, pode ser beneficiada se os votos forem anulados.
- Os advogados pedem que os votos sejam nulos ou anulados sub judice antes do fim da votação de domingo (4.out).
- Deltan afirmou, em nota, que o PT tenta interferir no resultado da eleição.

