Passageiros relatam confronto com tripulação após impedir queda de avião da Flydubai

Passageiros israelenses que impediram a queda do voo FZ1073, da Flydubai, com destino a Tel-Aviv, relataram que enfrentaram também a resistência de integrantes da tripulação, que pediam a libertação do copiloto dominado. Os relatos foram feitos ao jornal norte-americano New York Post e reproduzidos pelo portal israelense Ynet.
O copiloto, identificado como Hamam al-Hammami, foi contido pelos próprios passageiros após tentar derrubar a aeronave. Comissários passaram então a exigir que ele fosse solto.
"Eles nos pediam para desamarrar o terrorista. Não fazíamos ideia do motivo", afirmou Tzvika Manes. O empresário Daniel Schlichter, de 59 anos, que voltava de férias no Japão com a esposa e ocupava a segunda fileira, disse que o grupo passou a desconfiar dos comissários.
Diante da situação, os passageiros assumiram o controle da área próxima à cabine. Schlichter e outros conduziram os comissários até a quinta ou a sexta fileira e determinaram que permanecessem sentados. Um passageiro de grande porte foi encarregado de vigiar a entrada da cabine. "Dissemos a eles: 'Agora, quem manda somos nós, e vocês farão o que dissermos'", contou Manes.
Schlichter confirmou que o grupo precisou elevar o tom de voz. Segundo ele, depois de afastados, os tripulantes começaram a compreender a gravidade da situação e passaram a atender os passageiros traumatizados, distribuindo água e cobertores. Nenhum integrante da tripulação foi acusado de participar do episódio.
Procurada pelo New York Post, a Flydubai disse que não poderia comentar a conduta de seus funcionários enquanto o caso estiver sob investigação e que segue colaborando com autoridades e órgãos reguladores.
A contenção do copiloto começou de forma improvisada: Schlichter recolheu fios de fones de ouvido entre os ocupantes, usados para amarrá-lo, e o grupo reforçou depois a imobilização com abraçadeiras plásticas. O encanador Yaniv Hayun contou ter ouvido al-Hammami gritar "Matem-me, matem-me".
Manes afirmou que os funcionários questionaram a conduta dos passageiros sob o argumento de que eles não tinham o direito de matar o homem: "Vocês não são Deus, não vão matá-lo". Schlichter disse que o grupo não pretendia ferir o copiloto e chegou a lhe fornecer uma máscara de oxigênio, para que pudesse ser investigado.
Segundo os investigadores, al-Hammami atacou o comandante indiano Smit Machchhar com um machado de emergência. Mesmo ferido, o piloto rastejou até a porta e abriu, o que permitiu que Hayun entrasse na cabine, dominasse o agressor e ajudasse a recuperar o controle da aeronave.
O avião foi desviado para Tabuk, na Arábia Saudita, onde fez pouso de emergência. O copiloto foi transferido para os Emirados Árabes Unidos, cujas autoridades passaram a tratar a tentativa de derrubar a aeronave como ato terrorista. A investigação trabalha com a hipótese de que ele tenha agido sozinho.
Principais informações
- Passageiros dominaram o copiloto Hamam al-Hammami após a tentativa de derrubar o voo FZ1073, da Flydubai, que seguia para Tel-Aviv.
- Comissários teriam exigido a libertação do copiloto, o que levou os passageiros a desconfiar da tripulação.
- O grupo conduziu os funcionários até a quinta ou sexta fileira e determinou que ficassem sentados.
- A Flydubai afirmou que não pode comentar a conduta dos tripulantes durante a investigação.
- A investigação aponta que o copiloto agiu sozinho e trata o caso como ato terrorista.

