Ministros do STF relatam, reservadamente, movimento interno para contestar resultado da eleição de 2026

Ministros do Supremo Tribunal Federal avaliam, em conversas reservadas, que um grupo dentro da própria Corte vem construindo as condições para uma eventual contestação do resultado da eleição de 2026, sobretudo na hipótese de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). Os relatos foram feitos a pedido da Revista Oeste.
De acordo com esses magistrados, o movimento em curso envolve a construção da narrativa de que decisões judiciais, investigações e vazamentos estariam contaminados por interesses político-eleitorais. Um dos ministros ouvidos afirmou que se está "criando clima para isso". Outro integrante da Corte disse que o ambiente em formação servirá para sustentar dúvidas sobre a neutralidade das instituições que participam do processo eleitoral.
No centro das discussões está o relatório da Polícia Federal que revelou troca de mensagens por WhatsApp entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do antigo Banco Master. O documento apontou pedidos de ajuda feitos por Vorcaro ao magistrado. O ministro André Mendonça é relator do processo do Banco Master na Corte, e sua atuação vem sendo apontada como supostamente parcial por colegas.
As manifestações públicas do decano Gilmar Mendes sobre o caso Master acenderam o alerta entre os demais ministros. Na sessão plenária em que poderia ter sido aberta uma investigação contra Moraes, Mendes acusou Mendonça de atuar com "inequívoco viés político-eleitoral" e o chamou de "pixuleco eleitoral", em referência ao boneco inflável do colega erguido por manifestantes na Avenida Paulista durante o 7 de Setembro.
Na mesma reunião do plenário, Gilmar Mendes sustentou que o fim do sigilo do processo e o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, haviam ganhado tração conforme avançava o ciclo eleitoral.
Meses antes dessas declarações, o próprio decano já havia sinalizado que o STF poderia funcionar como uma espécie de instância revisora caso o Tribunal Superior Eleitoral não demonstrasse imparcialidade na condução do processo eleitoral de 2026. Em publicação no X, Gilmar Mendes escreveu que o risco maior viria de dentro, o da politização da Justiça Eleitoral, e acrescentou que quem tenta engajar o tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer.
Segundo a reportagem, a declaração reforçou entre os demais ministros a percepção de que parte da Corte já trabalha para criar um cenário de contestação eleitoral, com possíveis desdobramentos institucionais graves para a disputa presidencial.
Principais informações
- Ministros do STF dizem, reservadamente, que um grupo interno prepara o terreno para contestar o resultado da eleição de 2026.
- A hipótese considerada é a de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).
- O cenário envolveria a narrativa de que decisões, investigações e vazamentos estariam contaminados por interesses político-eleitorais.
- O caso do Banco Master, com mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, serve de pano de fundo.
- Gilmar Mendes acusou André Mendonça de viés político-eleitoral e já havia sugerido o STF como instância revisora do processo eleitoral.

