Mansão no Lago Sul servia de base para Lulinha e lobista em Brasília

Uma mansão de alto padrão no Lago Sul, área nobre de Brasília, serviu de base para reuniões discretas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e da lobista Roberta Luchsinger. O imóvel, alugado por Luchsinger em 2024, fica em condomínio fechado.
A propriedade tem 2.110 metros quadrados, três quartos, piscina, jardim, churrasqueira e escritório para os encontros. O aluguel médio desse perfil é cerca de R$ 240 mil por ano. A casa é de um empresário de mineração de calcário que vive no exterior.
Funcionários dizem que Lulinha e Luchsinger estão há sete meses sem aparecer. O afastamento coincide com as investigações sobre a relação da lobista com Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", do escândalo dos descontos em aposentadorias. Em 18 de dezembro, dia em que virou alvo de operação da PF, Luchsinger postou foto na casa com a frase "Aos mentirosos, apenas a justiça". Os mandados foram cumpridos em São Paulo.
Lulinha, filho mais velho de Lula com Marisa Letícia, mudou-se para Madri no ano passado. Ele evitava o Palácio da Alvorada por não ter relação próxima com a madrasta, Janja, e preferia o imóvel alugado por Roberta.
A empregada Zildeni Souza, que trabalhou na casa por sete meses, disse que o local era de reunião, não de morar. Segundo ela, Luchsinger e Lulinha iam ao imóvel ao menos duas vezes por mês. Em áudio, a empresária avisava a chegada de "seu Fábio" e pedia para arrumar as camas das crianças para adultos. Zildeni contou que Lulinha ficava na piscina fumando e permanecia dois dias.
A defesa de Lulinha, com o advogado Marco Aurélio de Carvalho, negou irregularidades e chamou o caso de "perseguição absolutamente implacável". A defesa de Luchsinger não se pronunciou. Ela reclamou nas redes de "ataques diários".
A ex-funcionária afirmou ter visto Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, na casa. Mensagens mostram que Roberta enviou a ele um modelo de contrato para venda de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação, negócio de R$ 626 milhões que não se concretizou. Ela também pagou R$ 9,2 mil em joias pedidas por Marcola e transferiu R$ 217 mil a ele em 2024.
Em março de 2024, Roberta escreveu a Lulinha que o "futuro é Suíça". Ele respondeu que trabalhava "para caralho" e nada dava em nada. Registros indicam oito agendas dela no Planalto e 32 visitas a ministérios e BNDES.
Principais informações
- Mansão no Lago Sul alugada por Roberta Luchsinger em 2024 era ponto de encontro de Lulinha e visitantes.
- Funcionários afirmam que Lulinha e a lobista não frequentam o imóvel há sete meses.
- Empregada viu Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, em reunião na casa.
- Mensagens citam contrato de canabidiol com o Ministério da Saúde e transferências de R$ 217 mil a Marcola.
- Lulinha evitava o Palácio da Alvorada por não ter relação próxima com a madrasta Janja.

