Justiça condena grupo que desviava cargas com documentos falsos a mais de 60 anos de prisão em SP

Justiça condena grupo que desviava cargas com documentos falsos a mais de 60 anos de prisão em SP

A Justiça condenou três pessoas por integrar um esquema que desviava cargas de empresas na região de Presidente Prudente (SP) com o uso de documentos falsos e de dados de caminhoneiros sem qualquer ligação com os crimes. A sentença foi proferida na terça-feira (22) pela 1ª Vara Criminal de Presidente Prudente e soma mais de 60 anos de prisão.

Conforme a Justiça, o grupo aplicou os golpes em três ocasiões ao longo de 2020. Em 22 de abril daquele ano, 32 toneladas de soja a granel, avaliadas em R$ 52.480, foram desviadas em Itaberá (SP).

Dois dias depois, em 24 de abril de 2020, os réus retiraram 27 toneladas de açúcar, distribuídas em 540 sacas, de uma usina no distrito de Ameliópolis, em Presidente Prudente. O prejuízo estimado foi de R$ 62.900.

O terceiro desvio ocorreu em 19 de novembro de 2020, quando produtos avaliados em R$ 39.762,16 foram levados de um laticínio de Presidente Prudente. Segundo a polícia, nenhuma das cargas chegou ao destino e as transportadoras contratadas arcaram com os prejuízos, estimados em R$ 155 mil.

Os réus foram condenados por associação criminosa, estelionato, uso de documento público falso e adulteração de sinal identificador de veículo, crimes praticados três vezes. Dois deles receberam pena de 19 anos de reclusão cada um, e o terceiro, reincidente, de 22 anos e 2 meses. As penas devem ser cumpridas inicialmente em regime fechado, e os condenados poderão recorrer em liberdade.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo negociava fretes com transportadoras por aplicativos de mensagem e plataformas de transporte, apresentando-se com os dados de motoristas alheios ao esquema. No dia do carregamento, um motorista chegava ao local com Carteira Nacional de Habilitação e documento do veículo (CRLV) falsificados, dirigindo um caminhão com placas clonadas de veículos legítimos. Com a documentação aparentemente em ordem, a carga era liberada e desviada.

As linhas telefônicas usadas nas negociações estavam cadastradas em nomes compatíveis com os documentos falsificados, mas eram operadas de Londrina (PR). Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa responsável pelas fraudes funcionava na região da cidade paranaense.

A investigação foi conduzida pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) do DEIC de Presidente Prudente e começou a partir de boletins de ocorrência registrados por uma transportadora vítima. Ao comparar fotografias de motoristas e caminhões tiradas no momento do carregamento, a polícia constatou que o mesmo homem havia retirado as cargas de soja e de açúcar usando identidades e placas diferentes.

Em 8 de janeiro de 2021, a operação "Doce Lar" cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. Na ocasião, foram apreendidos celulares, documentos e a nota de serviço de uma autoelétrica de Cambé (PR), arquivo que ajudou a comprovar a vinculação dos suspeitos com os crimes investigados.

Na sentença, a Justiça destacou que a acusação apontava que os réus recrutavam terceiros para os carregamentos e forneciam a eles os documentos e os veículos adulterados.

Principais informações

  • Três pessoas foram condenadas pela 1ª Vara Criminal de Presidente Prudente (SP) por desviar cargas na região em 2020.
  • As penas somam mais de 60 anos de prisão; dois réus receberam 19 anos cada e o terceiro, reincidente, 22 anos e 2 meses.
  • Os golpes ocorreram em três ocasiões: soja em Itaberá (SP), açúcar em Ameliópolis e produtos de um laticínio em Presidente Prudente.
  • O grupo usava dados de caminhoneiros sem relação com os crimes, CNH e CRLV falsificados e caminhões com placas clonadas.
  • A investigação da DIG do DEIC de Presidente Prudente começou com boletins de ocorrência de uma transportadora vítima e resultou na operação "Doce Lar", em janeiro de 2021.

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