Imprensa internacional repercute decisão de Zanin de estender votação do 2º turno até as 19h

Imprensa internacional repercute decisão de Zanin de estender votação do 2º turno até as 19h

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar até as 19h o encerramento da votação do segundo turno da eleição presidencial deste domingo, 25, ganhou espaço na imprensa internacional. Jornais dos Estados Unidos, da Europa e da Argentina trataram do tema, com relatos de confusão, urnas já lacradas e contagem interrompida.

O fim da votação estava marcado para as 17h. Quando a determinação foi divulgada, várias seções eleitorais já tinham fechado as urnas e emitido os boletins com o total de votos de cada urna, de modo que a prorrogação as pegou de surpresa.

Em cobertura em tempo real, o argentino La Nación relatou “confusão e polêmica” com a extensão do horário e informou que a Polícia Federal investiga denúncias de suposta falta de transporte público para eleitores. O jornal escreveu que a contagem de votos foi interrompida e que há confusão sobre a prorrogação.

O The New York Times classificou o segundo turno como “caótico” e afirmou que há preocupações no tribunal eleitoral de que a confusão possa minar a confiança no sistema eleitoral. A reportagem lembrou que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é aliado do presidente norte-americano, Donald Trump.

Para o britânico The Guardian, a decisão de Zanin ocorreu em meio a denúncias de tentativa de supressão de votos em ao menos dez Estados, onde a oferta de transporte público supostamente teria sido limitada.

O espanhol El País chamou a disputa de eleição “mais acirrada da história” do Brasil e relatou que apoiadores de Flávio sugerem não reconhecer o resultado em caso de vitória de Lula.

O francês Le Monde destacou a retomada da contagem após a prorrogação, em meio à confusão, e trouxe o relato do eleitor Jorge Anderson Ibrahim Mamed, que desembarcou no Rio às 17h, pegou um Uber direto para votar e não conseguiu: “Infelizmente, não foi suficiente.”

Zanin atendeu a pedido da coligação de Lula, Brasil Pronto Pra Mais, apresentado ao Supremo às 16h32, menos de meia hora antes do fim previsto da votação. A reclamação citava as prefeituras de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia, acusadas de não oferecer frota suficiente de transporte público, em desacordo com o entendimento firmado pelo STF na ADPF 1.013.

A decisão mencionava três cidades baianas, mas valeu para todo o país: Zanin determinou a prorrogação “por duas horas, até as 19h, horário de Brasília, do encerramento do recebimento dos votos em todas as seções de todo o Brasil”, cabendo ao Tribunal Superior Eleitoral cumprir a medida.

Principais informações

  • Zanin prorrogou até as 19h o encerramento da votação do segundo turno, previsto inicialmente para as 17h
  • Jornais dos EUA, da Europa e da Argentina destacaram confusão e urnas já lacradas quando a decisão foi divulgada
  • The New York Times chamou o pleito de “caótico” e mencionou preocupação com a confiança no sistema eleitoral
  • O pedido partiu da coligação de Lula e citava as prefeituras de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas
  • Apesar de mencionar três cidades baianas, a decisão valeu para todas as seções do país, cabendo ao TSE cumpri-la

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