Santiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai em meio à crise do Ueno Bank

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira, 5, sua renúncia ao cargo. O anúncio foi feito em um vídeo divulgado nos perfis oficiais do presidente nas redes sociais, acompanhado de uma carta de renúncia. A saída, porém, ainda depende de aceitação do Congresso paraguaio.
O Legislativo do país deve convocar uma sessão nas próximas horas para analisar o pedido. Caso a renúncia seja negada, o Congresso pode dar sequência a um processo de impeachment contra o presidente. Nesta quinta-feira, a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou a abertura do processo de impedimento de Peña.
Ao comunicar a decisão, o presidente afirmou que agiu pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar as instituições democráticas. Disse também que a renúncia é feita com respeito à Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais do país, e que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai.
Peña tem 47 anos, é filiado ao Partido Colorado e foi eleito presidente em abril de 2023, quando substituiu Mario Abdo Benítez no comando do país. O vice-presidente é Pedro Alliana, que pode assumir a Presidência caso a renúncia seja confirmada.
A renúncia ocorre no desdobramento da crise provocada pela quebra do Ueno Bank. Na terça-feira, 3, o Banco Central do Paraguai (BCP) decretou a intervenção na instituição depois de detectar que o índice de solvência do banco havia caído para menos de 50% do mínimo exigido. A medida levou ao fechamento total dos serviços do banco digital, e clientes relataram não conseguir operar caixas eletrônicos nem acessar a internet.
O presidente do BCP, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo horas após o anúncio da intervenção. Ele havia comandado o Ueno Bank até agosto de 2023 e afirmou, em entrevista, que o afastamento ajudaria a acalmar a controvérsia em torno da autarquia. A crise também derrubou os diretores do BC Marco Aurelio González e Carmen Marín, e Peña nomeou o economista Raúl Vera Bogado para comandar a autoridade monetária.
O Ueno Bank nasceu como fintech em 2021 e obteve licença bancária em dezembro de 2023, acumulando cerca de 3 milhões de clientes. A instituição processava quase 3 milhões de transações por dia, volume equivalente a dois terços dos pagamentos eletrônicos das grandes redes de varejo. O crescimento acelerado levantou suspeitas: reguladores e a imprensa apontaram empréstimos excessivos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, controlador do banco.
Em março, o Ueno realizou a maior emissão de títulos corporativos da história do Paraguai, captando US$ 350 milhões. No mês passado, a agência Fitch revisou a perspectiva da nota de crédito da instituição para negativa. Peña atuou como investidor da holding do Ueno Bank até março de 2025, e deputados de oposição já haviam começado a coletar assinaturas para pedir o impeachment do presidente.
Segundo o material, o Ueno Bank possui cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. Desse total, US$ 380 milhões pertencem ao Instituto de Previsão Social, montante que inclui depósitos de aproximadamente 32 mil aposentados. Fundos da Administração Nacional de Eletricidade e da represa de Itaipu também estão retidos na instituição.
Principais informações
- Santiago Peña anunciou a renúncia à Presidência do Paraguai em vídeo nas redes sociais
- A renúncia depende de aprovação do Congresso, que pode retomar o processo de impeachment
- A Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impedimento nesta quinta-feira
- A crise começou com a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, na terça-feira, 3
- O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou horas depois da intervenção

