MP do Paraguai acusa Ueno Bank de simular venda de US$ 74,4 milhões em créditos

O Ministério Público do Paraguai acusa o Ueno Bank de simular a venda de uma carteira de créditos de mais de US$ 74,4 milhões, negócio que a própria instituição teria financiado. O Banco Central do Paraguai (BCP) confirmou o valor da operação.
A carteira foi transferida em 15 de junho à Vinanzas SA, que, segundo os investigadores, também pertencia ao banco e tinha US$ 93,8 mil em conta na véspera. No dia da transação, a compradora recebeu aporte de US$ 76,06 milhões e, horas depois, adquiriu os créditos.
Segundo o jornal paraguaio Última Hora, o Ueno liberou recursos a intermediárias entre 11 e 15 de junho: US$ 10 milhões à Technoma, US$ 10 milhões à La Tropa Fletes, US$ 35 milhões à HD Invest, US$ 20 milhões à Satec e US$ 6,8 milhões à Factopar. HD Invest e Satec repassaram os valores diretamente à Vinanzas; as demais transferiram a outras firmas, entre elas o Grupo Vázquez, sócio majoritário do banco, que encaminhou o dinheiro à compradora.
Segundo o MP, a operação impediria conhecer o estado real do patrimônio do banco, já que a carteira teria sido comprada pela própria instituição. Os créditos eram de empresas vinculadas investigadas por empréstimos irregulares: Mowi, Grupo Hendy, Grupo M, Tuiu, Franede e Aime.
O BCP determinou o fechamento das agências e garante cobertura de até US$ 38 mil (R$ 208,48 mil) por correntista. O Fundo Garantidor de Depósitos antecipa os pagamentos nesta quinta-feira, 5.
A polícia prendeu oito pessoas ligadas ao banco, e a Justiça investiga outras 19 de empresas vinculadas. Os detidos participam nesta quinta-feira de audiência sobre prisões preventivas. O MP acusa o grupo de conduta indevida em crise, abuso de confiança, tentativa de fraude e descumprimento de escrituração contábil.
Entre os presos estão o presidente Juan Manuel Gustale Cardoni, o fundador e primeiro vice-presidente Federico Miguel Vázquez Villasanti e a segunda vice-presidente Diana Leticia Mongelós González. Também foram detidos Julio Daniel Rey Fernández, Diego Fernando Duarte Schussmuller, Alejandro Gómez Abente, Mariana Torres e Miguel Ángel Almada Frutos, presidente do Grupo Vázquez.
O advogado do presidente do banco, José Fernández Zacur, negou o envolvimento do cliente e afirmou que ele desconhecia a natureza independente das empresas.
Em Assunção, manifestantes pediram nesta quarta-feira, 4, o impeachment do presidente Santiago Peña, que atuou como investidor da holding do Ueno até março de 2025. O governo elevou os depósitos públicos no banco para mais de US$ 850 milhões (R$ 4,66 bilhões).
O Ueno começou como fintech em 2021 e obteve licença bancária rapidamente. Declarava atender 3 milhões de correntistas, mais de 60% dos adultos paraguaios. Em março, emitiu o maior volume de títulos corporativos da história do país, e a Fitch revisou sua perspectiva de crédito de longo prazo para negativa, citando o crescimento acelerado do balanço e os altos ativos intangíveis.
Principais informações
- MP paraguaio aponta simulação na venda de carteira de créditos superior a US$ 74,4 milhões
- Compradora Vinanzas SA tinha US$ 93,8 mil em conta na véspera e recebeu aporte de US$ 76,06 milhões no dia da operação
- Recursos passaram por intermediárias, incluindo o Grupo Vázquez, sócio majoritário do banco
- Polícia prendeu oito pessoas, entre elas o presidente Juan Manuel Gustale Cardoni
- BCP fechou agências e garante cobertura de até US$ 38 mil por correntista

