China trata derrota republicana nos EUA como “questão interna” e prepara cúpula da Apec

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, classificou como "uma questão interna dos Estados Unidos" a eleição de meio de mandato realizada na terça-feira, 3, na qual os democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso. Pequim acompanha os desdobramentos da derrota do Partido Republicano e mantém postura cautelosa sobre os possíveis efeitos do resultado na relação com o presidente Donald Trump.
Mao Ning reafirmou a disposição chinesa de manter uma relação bilateral estável e construtiva com Washington, conforme o entendimento alcançado entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em encontro realizado em maio.
Apesar da vitória democrata, o governo chinês avalia que Trump ainda dispõe de poderes significativos para conduzir a política externa e comercial norte-americana. Um dos principais pontos de atenção é a trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo, prevista para expirar em janeiro de 2027.
Analistas avaliam que a derrota eleitoral pode levar Trump a endurecer sua posição nas próximas negociações com Pequim, uma vez que o presidente não precisará mais considerar os efeitos imediatos de eventuais retaliações chinesas sobre as eleições legislativas. O resultado também pode estimular parlamentares republicanos a adotar posições mais duras contra a China. Com o enfraquecimento político de Trump, integrantes do partido podem se sentir mais à vontade para contrariar o presidente, especialmente diante de sua aproximação com Xi Jinping.
Em meio às incertezas nas relações com Washington, Pequim se prepara para sediar a cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec), marcada para 18 e 19 de novembro em Shenzhen, um dos principais polos tecnológicos chineses. O encontro será uma oportunidade para Xi Jinping reforçar a posição da China no cenário internacional e receber líderes de diferentes economias da região.
A expectativa é de que Trump e Xi realizem uma terceira reunião bilateral neste ano. Também existe a possibilidade de um encontro entre os dois presidentes e o líder russo, Vladimir Putin, à margem da cúpula. Em outubro, Trump afirmou estar aberto à realização da reunião trilateral, que poderia incluir temas como armamentos nucleares, desnuclearização e comércio internacional.
Principais informações
- Mao Ning, do Ministério das Relações Exteriores chinês, disse que a eleição de meio de mandato é uma questão interna dos Estados Unidos.
- Pequim reafirmou a intenção de manter relação estável e construtiva com Washington, conforme entendimento entre Trump e Xi Jinping firmado em maio.
- A trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo expira em janeiro de 2027, e analistas preveem posição mais dura de Trump nas negociações.
- A China sedia a cúpula da Apec em 18 e 19 de novembro, em Shenzhen, com expectativa de terceiro encontro bilateral entre Trump e Xi neste ano.
- Trump já declarou estar aberto a uma reunião trilateral com Xi e Vladimir Putin, que poderia tratar de armamentos nucleares, desnuclearização e comércio internacional.

