The Economist aponta risco fiscal após vitória de Lula; real cai 8% e Ibovespa recua 14%

A revista britânica The Economist publicou uma análise sobre o cenário brasileiro após a confirmação do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, que superou Flávio Bolsonaro por quase quatro pontos percentuais no segundo turno, em 25 de outubro. De acordo com a publicação, os mercados reagiram de forma imediata e violenta ao resultado.
Ainda segundo a revista, no primeiro dia útil depois da eleição o real perdeu 8% do valor frente ao dólar, a maior queda diária em mais de 25 anos, enquanto o Ibovespa recuou 14%. O texto descreve uma debandada de capital e afirma que os agentes econômicos temem uma onda de gastos e a estagnação do país.
Do lado da oposição, a publicação relata um clima de temor. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e buscou refúgio nos Estados Unidos depois que o Supremo Tribunal Federal determinou a retenção de seus passaportes. Apesar da turbulência política, a revista avalia que o principal perigo vem da área econômica.
Os dados compilados pela The Economist apontam déficit orçamentário superior a 9% do PIB no governo Lula. O Fundo Monetário Internacional estima que a dívida pública chegará a 97% do PIB ainda neste ano, contra 84% em 2022. Os novos programas assistenciais prometidos pelo presidente, que segundo a revista minimizou a responsabilidade fiscal, custariam cerca de 2% do PIB até o fim de 2027.
A publicação sustenta que administrações sucessivas gastaram sem limites, o que levou o Banco Central a elevar a taxa real de juros a 9%. Com isso, o Brasil destina ao pagamento de juros da dívida uma fatia do PIB superior à de quase todas as grandes nações. Nem a abundância de recursos naturais, como o agronegócio, os minerais e o petróleo, teria evitado décadas de crescimento medíocre.
Segundo a revista, o mercado apostava na vitória de Flávio Bolsonaro por desconfiar de Lula. Para a publicação, a reação dos investidores reflete a leitura de que o novo mandato pode vir acompanhado de ampliação de despesas.
A The Economist lista medidas que considera necessárias para evitar uma crise. Entre elas estão a indicação de um ministro da Fazenda com credibilidade junto ao setor produtivo, a aprovação de um teto de gastos rigoroso, o fim de isenções fiscais que beneficiam corporações ligadas a lobistas e o freio nos reajustes de aposentadorias de militares e servidores públicos, que avançam acima da inflação.
O texto também chama atenção para a concentração de poder no novo mandato. O presidente de 81 anos terá a prerrogativa de indicar diretores para o Banco Central, nomear cargos na Superintendência das Finanças Públicas e indicar quatro novos ministros para o STF, corte que a revista classifica como abertamente politizada e desgastada por alegações de corrupção.
A advertência final da publicação é taxativa: caso Lula trate o resultado eleitoral como autorização para intensificar a expansão de gastos, o país enfrentará uma recessão profunda e um desastre fiscal, o que, segundo a revista, transformaria sua vitória em cinzas.
Principais informações
- The Economist alerta para risco fiscal após a confirmação do quarto mandato de Lula
- Real caiu 8% frente ao dólar e Ibovespa recuou 14% no primeiro dia útil após a eleição, segundo a revista
- Déficit orçamentário supera 9% do PIB e FMI projeta dívida pública em 97% do PIB neste ano
- Publicação lista teto de gastos rigoroso e fim de isenções fiscais entre as medidas necessárias
- Revista aponta concentração de poder, com quatro indicações de Lula previstas para o STF

