Paralisação de 20 dias na Caixa atrasa pagamentos a construtoras do Minha Casa, Minha Vida

A paralisação de 20 dias dos funcionários da Caixa Econômica Federal, em setembro, atrasou os pagamentos devidos às construtoras que vendem imóveis pelo Minha Casa, Minha Vida e afetou os resultados dessas empresas no trimestre encerrado em setembro.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a greve travou a análise de documentos, a aprovação de financiamentos e a assinatura de contratos. Como consequência, as construtoras passaram a esperar mais tempo para receber o dinheiro dos imóveis vendidos.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) informou que empresas do setor relataram acúmulo de pedidos e demora na conclusão dos contratos. A entidade ainda não tem o número de financiamentos afetados.
Clausens Duarte, vice-presidente de Habitação de Interesse Social da CBIC, avaliou o cenário: os atrasos na conclusão dos financiamentos podem afetar tanto o fluxo de caixa das empresas, especialmente as menores, quanto as famílias que aguardam a finalização da compra do imóvel.
De acordo com o banco BTG Pactual, a greve atrasou o recebimento de cerca de R$ 80 milhões pela MRV. A Cury registrou redução estimada de R$ 194 milhões nos pagamentos de imóveis financiados no trimestre, na comparação com o mesmo período de 2025.
Além da paralisação, a Caixa passou a adotar critérios mais rigorosos para aprovar financiamentos. A dificuldade para obter crédito também contribuiu para o aumento dos cancelamentos de compras. Conforme o BTG Pactual, os cancelamentos na Cury somaram R$ 358 milhões, alta de 59% em um ano, e na Tenda chegaram a R$ 312 milhões, aumento de 78%.
Apesar das dificuldades, as três construtoras mantiveram o ritmo de vendas de imóveis populares. O BTG Pactual avalia que a greve apenas adiou o recebimento dos pagamentos, sem provocar perdas definitivas de vendas ou receitas.
Principais informações
- Greve de 20 dias na Caixa, em setembro, atrasou análises, financiamentos e contratos do Minha Casa, Minha Vida
- CBIC relata acúmulo de pedidos e demora na conclusão de contratos, sem número de financiamentos afetados
- BTG Pactual estima atraso de R$ 80 milhões no recebimento da MRV
- Cury teve redução estimada de R$ 194 milhões nos pagamentos de imóveis financiados no trimestre
- Cancelamentos somaram R$ 358 milhões na Cury (alta de 59%) e R$ 312 milhões na Tenda (alta de 78%)

