Ordem de Mendonça sobre dados de Lulinha causa mal-estar no governo e na PF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal entregue os dados brutos das quebras de sigilo de Fábio Luís, o Lulinha, filho do presidente Lula, no âmbito das investigações sobre fraudes no INSS. A medida, tomada há pouco mais de uma semana, estremeceu as relações entre o governo, a PF e o magistrado.
Segundo interlocutores de Mendonça, a decisão não foi inédita: ao menos três pedidos de acesso aos relatórios da quebra de sigilo de Lulinha haviam sido feitos nos meses anteriores. A quebra ocorreu em dezembro de 2025, mas o material ainda não tinha sido incorporado aos autos do processo.
Diante da ordem, a Polícia Federal tentou contestar a decisão, com a preocupação de preservar a institucionalidade e a autonomia da corporação na apuração. No entanto, a Advocacia-Geral da União, chefiada por Jorge Messias, optou por não intervir, o que dividiu opiniões no governo. Parte dos interlocutores cobrou uma postura mais firme; outros avaliaram que juridicamente não cabia à AGU recorrer de uma decisão de um ministro do STF.
Integrantes do governo afirmam que Mendonça tem atuado com 'superpoderes' e ultrapassado limites institucionais. O episódio ocorre em meio a vazamentos de dados da investigação, que tramita em sigilo, o que agrava o desgaste político. Com a aproximação da campanha eleitoral, a orientação no Palácio do Planalto é estancar a crise para conter os danos que o caso Lulinha pode causar nas eleições.
Principais informações
- André Mendonça ordenou à PF acesso a dados brutos da quebra de sigilo de Lulinha.
- Investigação trata de fraudes no INSS; quebra ocorreu em dezembro de 2025.
- PF tentou contestar a ordem, mas AGU não interveio.
- Governo vê 'superpoderes' do ministro e teme danos eleitorais.
- Vazamentos de dados sigilosos aumentam desgaste político.

