Operação Carbono Oculto 3 mira empresário que somou R$ 176 milhões em 570 prêmios de loteria

Operação Carbono Oculto 3 mira empresário que somou R$ 176 milhões em 570 prêmios de loteria

A terceira fase da Operação Carbono Oculto colocou no centro das investigações o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro", proprietário da Entre Investimentos. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta quinta-feira (24) em endereços ligados a ele. Os investigadores apontam Mineiro como operador financeiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Conforme a apuração, entre 1º de janeiro de 2020 e 30 de junho de 2025 ele registrou 570 premiações em apostas lotéricas, que somaram mais de R$ 176 milhões. O volume de vitórias é tratado como indício de que o mecanismo funcionava como etapa central da reciclagem de recursos ilícitos.

Um relatório do Ministério Público de São Paulo, obtido pelo GLOBO, sustenta que a Entre Investimentos atuava para dar estrutura financeira ao crime organizado e praticava fraudes variadas, entre elas confusão patrimonial entre suas empresas. O documento cita ainda a intensa movimentação de valores junto a lotéricas e o fato de o investigado ter sido contemplado mais de 500 vezes como ganhador de apostas como sinal de que os recursos ilícitos eram enviados a apostas e devolvidos já com aparência legal.

A operação investiga o uso de estruturas financeiras complexas na aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana, uma das maiores distribuidoras do país. Segundo a apuração, os envolvidos criaram camadas sobrepostas de fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais, empresas de fachada e instituições financeiras para esconder os verdadeiros beneficiários do negócio.

Operadores do mercado financeiro teriam participado da montagem dessas estruturas, primeiro para ocultar os donos de uma usina sucroalcooleira e, em seguida, para viabilizar a compra da distribuidora de combustíveis.

Os mandados foram cumpridos em endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 empresas, distribuídos por sete estados. Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá, além do próprio Mineiro.

A operação mobilizou a Receita Federal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), as secretarias da Fazenda e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, além das polícias Militar e Civil. Os Gaecos do Espírito Santo, de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina prestaram apoio.

Freixo confirmou as transferências no âmbito de um acordo de colaboração premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República. Em seu relato, o delator afirmou que os pagamentos foram feitos a pedido de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Em nota, o Banco Genial informou que Humberto Tupinambá não integra a diretoria nem é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição. O banco afirmou que repassou ao Gaeco-SP todas as informações sobre operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive as relativas às empresas Berna e Branson Holdings, e que fez as comunicações cabíveis ao COAF.

A instituição disse que atuou dentro de suas atribuições e conforme as normas aplicáveis, com base nas informações disponíveis à época, e que, após tomar conhecimento dos fatos, adotou medidas de governança, como a instauração de processo de inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos processos decisórios e sua posterior destituição, além do apoio de especialistas externos.

O Genial acrescentou que renunciou à administração do Fundo Radford depois da deflagração da Operação Carbono Oculto e que mantém postura de colaboração com as autoridades. O GLOBO tenta contato com as defesas.

Principais informações

  • Mineiro é apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira (24)
  • Entre janeiro de 2020 e junho de 2025, ele registrou 570 premiações lotéricas que somaram mais de R$ 176 milhões
  • A investigação apura a compra da distribuidora de combustíveis Terrana por meio de fundos, holdings e empresas de fachada
  • Mandados foram cumpridos contra 13 pessoas físicas e 19 empresas em sete estados, incluindo o ex-diretor do Banco Genial Humberto Tupinambá Neto e seus irmãos
  • Em delação premiada, Freixo confirmou as transferências e disse que os pagamentos foram feitos a pedido de Vorcaro

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