Mais de 20 países restringem importação de aves do Brasil após focos de Newcastle em Santa Catarina

Pelo menos 23 países, além de blocos econômicos, impuseram restrições à importação de produtos avícolas brasileiros depois da confirmação de focos da doença de Newcastle em Santa Catarina. As medidas adotadas pelos mercados importadores variam de abrangência: algumas nações suspenderam as compras de todo o território nacional, enquanto outras limitaram a restrição ao estado ou apenas aos municípios atingidos.
O primeiro foco foi confirmado em 18 de outubro, em uma granja comercial de perus de corte em Nova Itaberaba, no oeste catarinense. Outros dois focos foram identificados em Coronel Freitas e Nova Erechim, dentro da mesma área de restrição sanitária. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
Uruguai, México e Malásia estão no grupo que suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o Brasil. Já China, Chile, Peru, Turquia, Paraguai, Uzbequistão e os integrantes da União Econômica Eurasiática limitaram as restrições a Santa Catarina.
Um terceiro grupo restringiu as compras à área sob controle sanitário. Fazem parte dele Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, União Europeia, Reino Unido, Coreia do Sul, Argentina, Canadá, Egito e Vietnã. Nesses casos, as medidas abrangem os municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
De acordo com o Mapa, as negociações internacionais permitiram o reconhecimento da regionalização sanitária brasileira, o que evitou perdas comerciais potenciais de aproximadamente US$ 954 milhões por ano, com base nas exportações brasileiras de 2025. Entre os mercados com maior impacto econômico mitigado estão a China, com cerca de US$ 485 milhões em perdas evitadas, a Arábia Saudita, com US$ 293 milhões, e a Argentina, com US$ 57 milhões.
A estratégia ganhou força depois de um foco da doença no Rio Grande do Sul, em julho de 2024. Desde então, o Brasil intensificou negociações para que os parceiros comerciais adotassem restrições proporcionais às áreas afetadas, conforme os princípios de regionalização previstos no Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal. Em 2024, a China suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o Brasil; nesta ocorrência, o país limitou a restrição a Santa Catarina.
O Serviço Veterinário Oficial conduz investigações epidemiológicas, ações de contenção e vigilância sanitária nas áreas atingidas. O governo federal também mantém contato com os países importadores para fornecer informações técnicas e negociar medidas comerciais proporcionais à localização dos focos e aos riscos identificados.
Principais informações
- Pelo menos 23 países e blocos impuseram restrições a produtos avícolas brasileiros após focos de Newcastle em Santa Catarina
- Primeiro foco foi confirmado em 18 de outubro, em granja de perus de corte em Nova Itaberaba, no oeste catarinense
- Uruguai, México e Malásia suspenderam compras de todo o Brasil; China, Chile, Peru e outros limitaram a Santa Catarina
- Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, União Europeia, Argentina e outros restringiram às áreas sob controle sanitário
- O Mapa afirma que a regionalização evitou perdas potenciais de aproximadamente US$ 954 milhões por ano

