Kátia Abreu critica Janja e pede mais Alckmin em reunião da cúpula do PT

A cúpula do PT se reuniu na terça-feira (6), em Brasília, para avaliar o desempenho do partido no primeiro turno das eleições de 2026 e definir os próximos passos da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Uma das falas de maior repercussão foi da ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu, recém-filiada à legenda e coordenadora da campanha no Tocantins.
Segundo participantes ouvidos pelo jornal O Globo, Kátia Abreu afirmou que a campanha estaria sendo comandada por “paulistas sem voto”. A declaração apareceu em meio a críticas internas ao desempenho eleitoral de integrantes da coordenação. Fernando Haddad foi derrotado por Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo de São Paulo, enquanto Simone Tebet e Marina Silva foram eleitas para o Senado. Edinho Silva, coordenador-geral da campanha, foi eleito deputado federal por São Paulo.
A ex-ministra também questionou a presença da primeira-dama Janja da Silva nos eventos da campanha. Conforme os relatos, antes de tratar do assunto ela afirmou que faria a observação por ser mulher. Kátia Abreu classificou como erro o fato de Janja cantar música gospel nos comícios, entre elas “Tapete Vermelho”. Outros integrantes do PT presentes também criticaram a participação da primeira-dama e disseram avaliar que a estratégia não ajudou a aproximar o eleitorado evangélico. Essas avaliações foram apresentadas como opiniões dos participantes.
Na sequência, Kátia Abreu defendeu maior presença do vice-presidente Geraldo Alckmin na campanha. A fala foi recebida com aplausos pelas cerca de cem pessoas presentes. A frase que marcou sua participação foi: “Menos Janja, mais Alckmin.”
A estratégia de comunicação do primeiro turno foi outro alvo de críticas. Participantes defenderam que a campanha fale mais sobre o futuro do país, em vez de concentrar o discurso no legado dos governos de Lula. Edinho Silva também foi criticado pela definição da agenda presidencial. Entre as sugestões, estava a realização de mais viagens a regiões em que o bolsonarismo tem forte presença, como o Centro-Oeste e o Sul de Minas.
O encontro chegou a ser interrompido por alguns minutos depois que Edinho deixou o auditório. Os participantes decidiram esperar o retorno dele para continuar as manifestações, com o argumento de que o coordenador deveria acompanhar diretamente as críticas.
Ao comentar a reunião, Edinho afirmou que o objetivo era alinhar a estratégia para o segundo turno. Segundo ele, a comunicação vai mudar, porque, com apenas dois candidatos na disputa presidencial, será possível apresentar de forma mais direta as diferenças entre os projetos. O presidente do PT também disse ser favorável a uma participação maior de Alckmin na campanha. Para Edinho, o vice-presidente pode ajudar a ampliar o diálogo da candidatura com diferentes setores da sociedade.
Kátia Abreu se filiou ao PT em 2026, depois de passar por partidos como DEM, PP e MDB. Antes de chegar à legenda, construiu carreira política ligada ao setor agropecuário, presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e comandou o Ministério da Agricultura no governo de Dilma Rousseff.
Principais informações
- Kátia Abreu criticou a comunicação e a condução da campanha de Lula em reunião da cúpula do PT, em Brasília
- Ela afirmou que a campanha é comandada por “paulistas sem voto” e questionou a presença de Janja nos eventos
- A ex-ministra defendeu maior presença de Geraldo Alckmin na campanha e disse “Menos Janja, mais Alckmin”
- Edinho Silva afirmou que a comunicação vai mudar no segundo turno e se disse favorável a mais participação de Alckmin
- Kátia Abreu se filiou ao PT em 2026, após passar por DEM, PP e MDB, e coordenou o Ministério da Agricultura no governo Dilma

