Inaugurado em 1941, Cine João Gomes marcou a vida cultural de Presidente Prudente até 1974

Inaugurado em 1941, Cine João Gomes marcou a vida cultural de Presidente Prudente até 1974

O Cine João Gomes, em Presidente Prudente (SP), foi inaugurado em 2 de julho de 1941 na Rua Tenente Nicolau Maffei, no Calçadão, com o nome de Cine Internacional, e exibiu na estreia o filme “Que Mundo Maravilhoso”. As atividades terminaram em dezembro de 1974. Hoje, o prédio abriga uma unidade da Caixa Econômica Federal, uma loja de roupas e uma área demolida, em escombros.

O professor Luiz Dale Vedove, que pesquisou os cinemas da cidade em seu trabalho de conclusão de curso em Jornalismo, afirma que a sala surgiu como símbolo de modernidade em um período de crescimento de Presidente Prudente. A imprensa da época destacava a construção, a acústica, as poltronas e o sistema de ventilação. O proprietário, João Gomes, primeiro grande empresário do entretenimento na cidade, reinaugurou o cinema com o próprio nome na década de 1940.

A diretora do Museu e Arquivo Histórico “Prefeito Antônio Sandoval Netto”, Valentina Tereshkova Trugilo Romeiro Flores, diz que João Gomes foi um visionário. Como ficava em frente à Praça 9 de Julho, o cinema se tornou o centro do footing, e a corporação 7 de Setembro, primeira banda da cidade, tocava no coreto depois das sessões. A fachada iluminada ganhava peso porque boa parte do Centro tinha pouca iluminação, e os jornais comparavam a escuridão ao fim das sessões aos apagões da Segunda Guerra Mundial.

A pesquisa de Vedove aponta que o cinema tinha 1.200 poltronas inclinadas, quase o total de assentos das oito salas existentes hoje na cidade, e recebia grandes produções e festivais, como o Primeiro Festival de Cinema Brasileiro, em 1967. Nas sessões, passavam trailers e cinejornais com notícias da capital.

O aposentado e lustrador de móveis Roberto Gonzáles Montero, de 78 anos, lembra que a maioria dos cinemas da cidade pertencia à firma Pedutti e cita o Fênix, o Cine Presidente, de 1962, o Coral, no Jardim Aviação, e o Cine Ouro Branco, de 1965. Ele conta que assistiu a filmes de Amácio Mazzaropi e de faroeste, além de “Ben-Hur” e de um filme dos Beatles. Sem televisão, os anúncios eram feitos no cinema e em jornais, e notícias e futebol passavam antes das sessões.

Segundo Valentina, o fechamento resultou da chegada de novas salas, como o Cine Presidente, o Cine Ouro Branco e o Cine Teatro Santa Emília, e do tamanho da cidade, que não comportava tantas. Vedove acrescenta que a televisão mudou os hábitos de lazer e que os jornais registravam críticas à qualidade dos filmes, do áudio, da projeção e da estrutura. Nem a reforma de 1962 reverteu a perda de público.

Vedove avalia que o Cine João Gomes foi mais do que uma sala de exibição: um espaço de convivência, de encontros e de manifestações estudantis, e um dos símbolos da vida cultural da cidade. O Museu e Arquivo Histórico guarda o primeiro projetor do cinema mudo que pertenceu ao Cine João Gomes.

Principais informações

  • Inaugurado em 2 de julho de 1941 como Cine Internacional, o Cine João Gomes encerrou as atividades em dezembro de 1974
  • A imprensa da época elogiava construção, acústica, poltronas e ventilação; a sala tinha 1.200 poltronas inclinadas
  • Localizado em frente à Praça 9 de Julho, o cinema centralizou o footing, com a banda 7 de Setembro tocando no coreto após as sessões
  • Concorrência de novas salas e a chegada da televisão são apontadas como causas do fim das atividades
  • Hoje o espaço abriga uma unidade da Caixa Econômica Federal, uma loja de roupas e uma área demolida

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