Cirurgias oftalmológicas pelo SUS saltam de 488 para 3.670 em quatro anos na região de Presidente Prudente

Na região de Presidente Prudente (SP), as internações para cirurgias e tratamentos oftalmológicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) saltaram de 488 em 2021 para 3.670 em 2025, uma alta de 652%. Os números são da Secretaria de Estado da Saúde e abrangem o Departamento Regional de Saúde (DRS) da cidade.
Em 2022, foram 2.988 internações; em 2023, 2.402; e em 2024, 2.457. A categoria inclui procedimentos em pálpebras, vias lacrimais, músculos oculomotores, corpo vítreo, retina, coróide, esclera, cavidade orbitária, globo ocular, conjuntiva, córnea, câmara anterior e íris.
O oftalmologista Claudio Vieira, do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), avalia que o crescimento é expressivo, mas não cobre toda a demanda da rede pública. Ele relata longas esperas, com pacientes de glaucoma e descolamento de retina em risco de cegueira irreversível.
Segundo o médico, o aumento corresponde a uma parte do atendimento da demanda acumulada, e muita gente ainda aguarda desde consultas para óculos até casos mais complexos.
Na rede ambulatorial, os exames oftalmológicos com finalidade diagnóstica triplicaram no mesmo período: saltaram de 18.547, em 2021, para 56.116, em 2025, uma alta de 202,56%. Vieira relaciona o avanço ao maior volume de consultas e à evolução tecnológica da oftalmologia.
O especialista explicou que uma consulta pode levar a diferentes exames conforme o quadro: diabetes pede mapeamento de retina; doença de córnea requer topografia, paquimetria e tomografia; e doença na retina é investigada com retinografia e tomografia. O aumento também vem da necessidade de diagnosticar alterações que não aparecem apenas na avaliação clínica.
Entre as condições citadas estão diabetes, glaucoma, catarata e degeneração macular. A catarata é o maior volume de cirurgias e uma das principais causas reversíveis de perda visual. Já a retinopatia diabética, o glaucoma e a degeneração macular podem levar a comprometimento irreversível da visão.
Vieira destaca que diabetes e glaucoma são doenças silenciosas. O diabetes é a principal causa de cegueira no mundo, e pacientes com o diagnóstico devem passar por avaliação oftalmológica pelo menos uma vez por ano. O glaucoma, segunda maior causa, não causa dor nem vermelhidão no olho. Histórico familiar também exige acompanhamento.
Sobre o uso de telas, ele afirma que o excesso de tempo diante de celulares e computadores pode estar ligado ao aumento de miopia em crianças e adolescentes. A orientação é impor limites e estimular atividades ao ar livre por pelo menos duas horas por dia.
O médico recomenda procurar um oftalmologista diante de qualquer alteração na visão e alerta para sintomas como dor de cabeça e cansaço. O acompanhamento deve começar na infância, com o teste do olhinho e avaliações escolares. Ele também desaconselha automedicação com colírios e o uso de substâncias caseiras nos olhos; se houver coceira ou irritação, lavar as mãos e o olho, e procurar atendimento se não melhorar.
Principais informações
- Na região de Presidente Prudente, internações oftalmológicas pelo SUS passaram de 488 (2021) para 3.670 (2025).
- Alta foi de 652% no período, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.
- Exames diagnósticos feitos por oftalmologistas cresceram 202,56% entre 2021 e 2025.
- Oftalmologista alerta para filas de espera e risco de perda irreversível da visão.
- Uso de telas em excesso pode aumentar miopia em crianças.

