Inadimplência das famílias atinge 8,1% em setembro, maior nível da série iniciada em 2011

A inadimplência das pessoas físicas em operações de crédito com recursos livres alcançou 8,1% em setembro, o patamar mais elevado da série histórica do Banco Central iniciada em 2011. O dado foi divulgado pela instituição nesta quinta-feira (29). O crédito livre reúne empréstimos sem destinação específica definida, como cartão de crédito e cheque especial.
Na comparação de 12 meses, a taxa de calote das famílias nessa modalidade subiu 1,2 ponto percentual. O resultado contrasta com o das empresas: a inadimplência das pessoas jurídicas recuou levemente e ficou em 4,2% em setembro.
Quando são consideradas todas as modalidades de empréstimo, incluindo financiamentos habitacionais e rurais, a taxa média geral do país permaneceu estável em 5%.
O crédito também ficou mais caro no período. A taxa média de juros cobrada pelos bancos subiu para 32,4% ao ano em setembro, movimento puxado principalmente pelas pessoas físicas, cuja taxa chegou a 38,5% ao ano, alta de 0,3 ponto percentual. No crédito livre, os juros para as famílias somaram 49% ao ano no acumulado médio.
No caso das empresas, o custo do dinheiro seguiu direção oposta e recuou levemente, encerrando o mês em 19,4% ao ano.
O relatório do Banco Central apontou ainda aumento do spread bancário, diferença entre o valor pago pela instituição para captar recursos e o cobrado do cliente no empréstimo. A margem subiu para 21,6 pontos percentuais no geral e atingiu 28 pontos percentuais no crédito destinado às pessoas físicas. Segundo o BC, o movimento indica que as instituições financeiras encareceram os empréstimos para se proteger do risco de calote.
Principais informações
- Inadimplência das pessoas físicas no crédito livre atingiu 8,1% em setembro, recorde da série iniciada em 2011
- Em 12 meses, o calote das famílias nessa modalidade avançou 1,2 ponto percentual
- Inadimplência das empresas recuou levemente, para 4,2%, e a taxa geral ficou estável em 5%
- Juros médios chegaram a 32,4% ao ano, com 38,5% ao ano para pessoas físicas e 19,4% ao ano para empresas
- Spread bancário subiu para 21,6 pontos percentuais no geral e 28 pontos no crédito às famílias

