Haddad defende ajuste fiscal do governo Lula e ataca Tarcísio em sabatina

Haddad defende ajuste fiscal do governo Lula e ataca Tarcísio em sabatina

Em sabatina promovida por Globo, CBN e Valor na manhã desta quinta-feira, o ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), defendeu o ajuste fiscal do governo Lula e criticou a gestão de Tarcísio de Freitas.

Haddad afirmou que o atual governo conteve gastos e que recebeu o país com um rombo de R$ 60 bilhões deixado pela administração de Jair Bolsonaro. Sobre os R$ 145 bilhões aprovados pelo Congresso na PEC da Transição, ele argumentou que o governo anterior não incluiu os recursos necessários para manter o Bolsa Família em R$ 600 e pagar precatórios.

O petista também disse que o governo Lula 3 fez o terceiro maior ajuste de contas do mundo, com reconhecimento do FMI. Em julho, porém, o Fundo Monetário Internacional elogiou a resiliência do Brasil e o modelo Pix, mas recomendou um arcabouço legal mais completo e autonomia do Banco Central.

Os indicadores fiscais mostram um cenário difícil. Segundo o Banco Central, a dívida bruta do setor público atingiu 81,9% do PIB em junho, somando R$ 10,8 trilhões, com estimativa de superar 87% até o fim do ano. Mais de 80% das famílias e mais de 9 milhões de empresas estão endividadas, e grandes varejistas, como a Casas Bahia, anunciaram recuperação judicial.

Haddad também comparou o gasto tributário em relação ao PIB: no governo Lula seria de 6%, contra médias de 3% e 4% nas gestões Temer e Bolsonaro. Nos dados do atual governo, porém, a média fica em torno de 4%.

Na sabatina, Haddad atacou Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e líder nas pesquisas. Ele afirmou que o estado só mantém equilíbrio orçamentário por causa de abatimentos e renegociações da dívida com a União, citando um bônus de R$ 12 bilhões. Sem isso, Tarcísio não terminaria o ano sem déficit, embora as contas ainda fechem no vermelho, compensadas por receitas de privatizações.

Para a segurança, Haddad prometeu criar uma agência de combate ao crime organizado, com participação das polícias federal, civil e militar, e defendeu mais câmeras corporais. Ele criticou o programa Muralha Paulista, afirmando que os R$ 600 milhões investidos não tiveram resultado, e disse que a letalidade policial subiu 80% na gestão Tarcísio.

Questionado sobre lobistas, Haddad afirmou que respeita o presidente Lula e que nunca o viu interceder por alguém. Ele também defendeu a liberdade de atuação da Polícia Federal e do Ministério Público. A PF investiga Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e a lobista Roberta Luchsinger por suspeita de tráfico de influência e corrupção.

Principais informações

  • Haddad defendeu o ajuste fiscal do governo Lula e atacou Tarcísio de Freitas.
  • Ele citou herança de R$ 60 bilhões e os R$ 145 bilhões da PEC da Transição.
  • Dívida pública chegou a 81,9% do PIB em junho, com mais de 80% das famílias endividadas.
  • Haddad prometeu agência de combate ao crime e ampliação de câmeras corporais.
  • PF investiga Lulinha, filho do presidente, e lobista por suspeita de tráfico de influência.

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