Fundador do Ueno Bank, Miguel Vázquez é preso após intervenção do Banco Central do Paraguai

Fundador do Ueno Bank, Miguel Vázquez é preso após intervenção do Banco Central do Paraguai

Miguel Vázquez, 36 anos, fundador do Ueno Bank, foi preso na terça-feira 3, depois que o Banco Central do Paraguai decidiu intervir na instituição por insuficiência de capital. A crise bancária também atingiu o topo do governo paraguaio: o presidente Santiago Peña renunciou na quinta-feira 5.

Federico Miguel Vázquez Villasanti iniciou a carreira aos 18 anos na Credicentro, empresa fundada pelo pai em 1984, e naquele período já assumiu o posto de CEO da companhia, segundo informações de seu perfil no LinkedIn. Em 2022, a Credicentro passou a fazer parte da Ueno Holding, braço do Grupo Vázquez, conglomerado com 28 empresas distribuídas em seis setores, como seguros, mídia, agropecuária e tecnologia.

Vázquez preside o grupo e detinha 75,94% do capital, além de 94,02% dos direitos de voto. O Ueno Bank, do qual também era vice-presidente, tornou-se o principal negócio do conglomerado, respondendo por cerca de 59% do Ebitda.

O banco digital cresceu rapidamente após deixar de ser financeira e se tornar instituição bancária, em 2023. Chegou a aproximadamente 3 milhões de clientes, cerca de metade da população paraguaia, e acumulou US$ 2,8 bilhões em depósitos.

Em seu perfil profissional, Vázquez informa especialização em finanças, gestão empresarial, transformação digital e inovação em serviços financeiros pelo Incae, além de participação em programas na Universidade de Miami e na Universidade Harvard.

A fiscalização da Superintendência de Bancos apontou que o índice de solvência do Ueno caiu para menos da metade do limite legal exigido. As investigações também identificaram mais de US$ 146 milhões em empréstimos irregulares concedidos a empresas ligadas ao próprio grupo controlador, em operações que ultrapassaram os limites regulatórios.

O caso provocou mudanças na cúpula das instituições paraguaias. Carlos Carvallo, que presidia o Banco Central desde setembro de 2023, renunciou na terça-feira 3. Ele havia comandado o Ueno Bank até agosto daquele ano, pouco antes de assumir a autoridade monetária.

O Ministério Público abriu investigação criminal e determinou a prisão de oito dirigentes e ex-dirigentes do banco, entre eles o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale. A promotoria apura suspeitas de gestão fraudulenta, enriquecimento ilícito e irregularidades em uma carteira de crédito com dezenas de milhões de dólares pendentes de recuperação. O Banco Central também trabalha para ressarcir os pequenos poupadores afetados pelo encerramento das operações.

A trajetória de Vázquez foi comparada à do brasileiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado em meio a denúncias de fraudes bilionárias. Vorcaro foi preso na véspera do anúncio da liquidação, acabou solto e voltou à prisão em março deste ano.

Principais informações

  • Miguel Vázquez, 36 anos, fundador do Ueno Bank, foi preso na terça-feira 3 após a intervenção do Banco Central paraguaio
  • O presidente Santiago Peña renunciou na quinta-feira 5 em meio à crise
  • A solvência do banco caiu para menos da metade do limite legal e foram identificados mais de US$ 146 milhões em empréstimos irregulares
  • O Ministério Público determinou a prisão de oito dirigentes e ex-dirigentes, incluindo Juan Manuel Gustale
  • Carlos Carvallo renunciou à presidência do Banco Central; ele havia comandado o Ueno Bank até agosto de 2023

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