Campanha de Lula vai à Justiça contra Veja por reportagem sobre R$ 30 milhões e documentário

Campanha de Lula vai à Justiça contra Veja por reportagem sobre R$ 30 milhões e documentário

A coordenação da coligação Brasil Pronto Para Mais, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou na sexta-feira, 9, que vai recorrer à Justiça contra a revista Veja. O motivo é uma reportagem que atribui ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatos sobre pagamentos ao Instituto Lula para financiar um documentário sobre o petista. Em nota, a campanha classificou a publicação como "peça eleitoral irresponsável" e contestou a existência de provas para as acusações.

Segundo a Veja, Vorcaro teria relatado, em áudios e documentos, negociações que envolveriam cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para cobrir despesas do documentário "Lula", dirigido por Oliver Stone, além de outros valores destinados ao Instituto Lula. Conforme a revista, ele disse ter negociado os pagamentos com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. A reportagem também liga as tratativas a tentativas de acesso a recursos de fundos de pensão de servidores públicos, com participação de integrantes do governo federal e de operadores políticos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi mencionado.

A coordenação afirmou que não há registro na Polícia Federal de depoimento formal com o conteúdo divulgado, nem delação com esse teor aceita pelo Ministério Público e pela PF. O grupo acusou a revista de divulgar informações capazes de tumultuar o processo eleitoral e de favorecer adversários políticos de Lula.

Na nota, a campanha sustenta que as acusações envolvem autoridades que, segundo o partido, atuaram para investigar irregularidades, liquidar o Banco Master e levar seu controlador à prisão. O comunicado questiona que benefícios Vorcaro esperaria obter com uma eventual mudança de governo e classifica o episódio como tentativa de vingança.

O PT comparou os relatos sobre o documentário de Lula às informações sobre recursos para uma produção relacionada ao senador Flávio Bolsonaro (PL), dizendo que Vorcaro tentaria tratar os valores do filme sobre Bolsonaro como "patrocínio normal" e atribuir crimes ao PT e ao governo sem provas. A nota também mencionou investigações sobre as relações entre Flávio e o ex-banqueiro.

A coordenação declarou que, conforme a própria Veja, a Procuradoria-Geral da República não deu prosseguimento às acusações por falta de provas, e disse que não aceitará acusações não comprovadas e vazamentos seletivos como instrumento eleitoral, adotando medidas judiciais contra o que classificou como calúnias.

Procurado pela revista, Lula negou ter solicitado ou recebido vantagem financeira de Vorcaro e disse não ter autorizado terceiros a receber recursos em seu nome. Segundo a Veja, Alexandre Padilha e Olavo Noleto também negaram relação com o ex-banqueiro.

Em comunicado separado, a defesa de Augusto Lima, sócio do Banco Master, repudiou a divulgação e afirmou que as informações se baseiam em relatos "mentirosos, falsos e delirantes" apresentados em proposta de delação rejeitada pelas autoridades, sem valor probatório. "O vazamento de supostos trechos de uma colaboração reiteradamente recusada pelas autoridades constitui proceder criminoso", afirmou, dizendo confiar que as investigações comprovarão a inocência de Lima.

Principais informações

  • Campanha de Lula anuncia ação judicial contra a Veja por reportagem sobre pagamentos ao Instituto Lula
  • Reportagem atribui a Daniel Vorcaro relatos sobre R$ 30 milhões em dinheiro vivo para documentário de Oliver Stone
  • Campanha afirma que não há depoimento formal na PF nem delação aceita com esse conteúdo
  • Lula nega ter solicitado ou recebido vantagem financeira de Vorcaro
  • Defesa de Augusto Lima, sócio do Banco Master, nega os relatos e cita delação rejeitada

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