Áudio da PF mostra operador ligado a Padilha prometendo aproximar Vorcaro do Banco do Brasil

Áudio da PF mostra operador ligado a Padilha prometendo aproximar Vorcaro do Banco do Brasil

A Polícia Federal encontrou no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um áudio de maio de 2024 em que o consultor Júlio Cezar, apontado como operador ligado ao grupo do ministro Alexandre Padilha, promete colocá-lo "na boca do gol" no Banco do Brasil.

Além do áudio, a PF localizou no aparelho mais de 450 mensagens e 180 telefonemas entre Júlio e o banqueiro.

Segundo as mensagens, o objetivo era captar cerca de R$ 10 bilhões junto a fundos de pensão de estatais — Petros, Previ, Postalis e Funcef —, usando papéis do Master. Pelo relato de Vorcaro, ele ficaria com R$ 9 bilhões e cerca de 10%, R$ 1 bilhão, iria para propina.

A aproximação teria começado após o cancelamento de uma reunião de Vorcaro na Petros, em fevereiro de 2024. Hamilton Buzelin, ex-diretor de Finanças Corporativas do Máxima, procurou o banqueiro para reagendar o encontro.

Em 1º de março de 2024, Vorcaro se reuniu com Padilha no Palácio do Planalto, então ministro das Relações Institucionais. Antes, Júlio foi apresentado ao banqueiro para acertar os termos da conversa. Vorcaro afirma ter conhecido ali Padilha, Olavo Noleto e outros interlocutores.

Depois do encontro, segundo a delação, Júlio, Olavo e o primo dele, Fernando, foram à casa de Vorcaro em Brasília e informaram que só havia um caminho para entrar em Previ, Petros e Postalis: propina de 10% sobre tudo o que o banco captasse.

Três dias depois, a reunião com Henrique Jäger, da Petros, foi remarcada. Mensagens mostram que Júlio também articulou encontros no Postalis, na Caixa e no Banco do Brasil, e avisou que o dirigente do Postalis travaria a agenda de 2 de abril só para receber Vorcaro.

O Master entrou na "lista exaustiva" do Ministério da Previdência Social em 29 de abril de 2024. No mesmo dia, Júlio cobrou R$ 500 mil e Vorcaro pagou. Dois dias depois, um jantar na casa do banqueiro reuniu Padilha, Olavo, Fernando e Júlio.

A articulação teria se desfeito em julho de 2024, quando vazou para a imprensa a primeira tentativa do Master de vender R$ 500 milhões em letras financeiras na Caixa. A jornalista Malu Gaspar noticiou, em 12 de julho, que dois gerentes da Caixa foram destituídos após parecer contrário à operação. Segundo Vorcaro, o episódio fez dirigentes de Petros, Postalis e BB segurarem a decisão de investir.

Conforme o banqueiro, ele usou os serviços do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, de Padilha e de Olavo Noleto para ser recebido pelos fundos, e pagou R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula e a um filme sobre o presidente.

Em 17 de julho de 2023, Padilha recebeu no Planalto os chefes dos fundos: João Fukunaga (Previ), Camilo Fernandes dos Santos (Postalis), Ricardo Pontes (Funcef) e Henrique Jäger (Petros).

Principais informações

  • A PF achou no celular de Vorcaro um áudio e mais de 450 mensagens e 180 ligações trocadas com o consultor Júlio Cezar
  • O plano previa captar cerca de R$ 10 bilhões em fundos de pensão de estatais, com 10% de propina
  • Vorcaro afirma ter se reunido com Padilha no Planalto em 1º de março de 2024
  • O Master entrou na "lista exaustiva" do Ministério da Previdência em 29 de abril de 2024, e no mesmo dia Júlio cobrou R$ 500 mil
  • O vazamento de uma operação na Caixa em julho de 2024 teria levado os fundos a segurar os investimentos

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