Ato no Mackenzie em apoio a Flávio tem funk, críticas a Lula e coro contra Erika Hilton

Estudantes de direita da Universidade Presbiteriana Mackenzie realizaram na quarta-feira, 14, um ato em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. A manifestação ocorreu na rua Maria Antônia, no centro de São Paulo, e foi convocada por Lucas Pavanato (PL-SP), deputado federal eleito e mais votado do estado.
O evento teve funk e discursos contra o presidente Lula (PT). Durante a fala de Pavanato, apoiadores entoaram um coro dirigido à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).
O cântico surgiu depois que Pavanato citou entrevista de Erika à Folha, na qual ela afirmou não ter nada em comum com ele nem com Nikolas Ferreira (PL-MG). No ato, o deputado eleito disse: “Nós temos sim algo em comum”. Apoiadores responderam: “Au, au, au, a Erika tem pau”. Pavanato não repetiu o coro e pediu calma.
Ao fim do evento, questionado se temia ser denunciado por transfobia, respondeu: “Por quê? Só o que falei foi que temos algo em comum, e é verdade. Todos os seres humanos têm algo em comum, e nós dois somos deputados, mas eu fui mais votado do que ela”.
Segundo a Folha, a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) também participou. Ela disse que, embora “nada esteja ganho”, a mobilização mostrava que Flávio tem apoio dos jovens e lidera a disputa contra Lula. Em seu discurso, afirmou que sua eleição prova que “a mulher não precisa ser feminista”. Pavanato a descreveu como “uma mulher que não aceita a coleira do feminismo”.
A manifestação foi organizada em reação a um ato de estudantes pró-Lula no mesmo local na semana anterior. O endereço fica em frente à entrada do Mackenzie e da antiga sede da USP, onde alunos das duas instituições se enfrentaram em 1968, durante a ditadura militar.
Participantes chamaram Lula de ladrão e disseram que a juventude de direita vai “retomar as universidades”. Alguns oradores exaltaram o regime militar e lembraram a Batalha da Maria Antônia.
No dia 6, o Mackenzie proibiu manifestações partidárias no campus de Higienópolis. A universidade informou ter sabido pelas redes sociais de eventos convocados sem autorização prévia, entre eles um encontro de apoio a Lula, e citou a necessidade de zelar pela segurança e o bem-estar de todos.
A direita bolsonarista convocou outro ato, com a presença de Flávio, na Avenida Paulista, no domingo, 18. Na terça-feira, 13, Brasília, São Paulo e ao menos outras nove capitais tiveram atos pela reeleição de Lula. Na quarta, houve manifestações em Goiânia, com Guilherme Boulos (PSOL), e em Florianópolis.
No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Principais informações
- Ato em apoio a Flávio Bolsonaro foi convocado por Lucas Pavanato (PL-SP), deputado federal eleito mais votado do estado
- Evento na rua Maria Antônia teve funk, discursos contra Lula e coro de apoiadores dirigido a Erika Hilton, que Pavanato não repetiu
- Pavanato disse que tem algo em comum com Erika Hilton e afirmou não temer denúncia por transfobia
- A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) também participou e disse que 'a mulher não precisa ser feminista'
- Mackenzie proibiu manifestações partidárias no campus de Higienópolis no dia 6, e a direita convocou outro ato com Flávio na Paulista no domingo, 18

