Alcolumbre e Moraes celebram vitória de Lula e veem menos pressão por impeachment

Alcolumbre e Moraes celebram vitória de Lula e veem menos pressão por impeachment

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, celebraram no mais recente almoço semanal dos dois, em Brasília, a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O resultado mexe com os planos de ambos. Alcolumbre ganhou melhores condições de negociar a permanência no comando da Casa, e Moraes viu cair a pressão por impeachment — antes do pleito, o processo era dado como certo até por integrantes do próprio Supremo.

A disputa pela presidência do Senado, no entanto, segue indefinida. Alcolumbre projeta até 48 votos e calcula um piso de 43 apoios, acima dos 41 necessários. Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio, articula uma candidatura de oposição e também diz ter 48 senadores. Tereza Cristina (PP-MS) manifesta interesse no cargo. União Brasil e Progressistas anunciaram apoio à recondução de Alcolumbre. O PL, que terá 29 cadeiras na legislatura que começa em fevereiro, quer usar a eleição para alterar a correlação de forças com o Supremo.

Interlocutores relatam que Alcolumbre estuda articular com Lula um indulto ou uma anistia a Jair Bolsonaro para atrair votos da direita e reduzir a cobrança por impeachment de ministros do STF. Parlamentares da oposição, porém, dizem que a medida não bastaria para garantir apoio, e parte dos senadores cobra antes uma definição do Supremo sobre a lei que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Trata-se da Lei da Dosimetria, promulgada por Alcolumbre em maio após a derrubada de veto de Lula. A norma pode beneficiar Bolsonaro. Moraes é relator das ações que questionam sua constitucionalidade e suspendeu a aplicação do texto nos processos sob sua responsabilidade até o julgamento do STF.

Cabe à Presidência do Senado decidir o encaminhamento inicial das representações por crime de responsabilidade contra ministros do Supremo. Alcolumbre tem resistido a abrir esses processos, e a oposição quer um presidente disposto a examiná-los.

A parceria é antiga. Em abril, os dois se encontraram duas vezes na semana que antecedeu a sabatina de Jorge Messias no STF, incluindo um jantar na casa do ministro; a indicação acabou rejeitada. Em agosto, Moraes recebeu Alcolumbre e Lula em sua casa, em jantar com a presença de Cristiano Zanin, abrindo caminho para a retomada do diálogo entre Planalto e Senado. Em setembro, novos encontros ocorreram em meio a disputas sobre investigações envolvendo o Banco Master e a atuação de André Mendonça.

Na segunda-feira, 26, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta, foram ao Palácio da Alvorada cumprimentar Lula pela vitória. Em comunicado, o senador reiterou a disposição de manter o diálogo com o Executivo.

Principais informações

  • Alcolumbre e Moraes comemoraram a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro em almoço semanal em Brasília
  • A derrota de Flávio reduziu a pressão por impeachment de Moraes e favoreceu os planos de Alcolumbre no Senado
  • Alcolumbre projeta até 48 votos e calcula piso de 43, contra os 41 necessários para se reeleger
  • Rogério Marinho articula candidatura de oposição e também afirma ter 48 apoios
  • Alcolumbre avalia propor a Lula indulto ou anistia a Bolsonaro para atrair votos da direita

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