Ala da PF avalia pedir prisão preventiva de Flávio Bolsonaro se passaporte não for entregue

Uma ala da Polícia Federal avalia solicitar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a prisão preventiva do senador Flávio Bolsonaro (PL) caso ele não entregue o passaporte até as 11h. A determinação de entrega do documento foi feita por Moraes, e até o momento o parlamentar não cumpriu a exigência.
A discussão interna na corporação leva em conta a possibilidade de descumprimento de uma medida cautelar do STF. Se o prazo terminar sem a entrega do passaporte, a PF deve pedir a preventiva por esse motivo. A corporação também apura a suspeita de que o senador tenha deixado o país.
O site argentino Infobae informou que o parlamentar teria saído do Brasil, atravessado a Argentina por via terrestre e embarcado em um jato privado em Puerto Iguazú, por volta das 2h da madrugada. A aeronave seria um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, da empresa Baires Fly SA, com destino aos Estados Unidos.
O portal de monitoramento aéreo Flightradar24 mostra que o avião saiu de Buenos Aires em direção a Puerto Iguazú na segunda-feira, 26. Depois disso, não há registro de movimentação da aeronave.
Integrantes da PF verificam neste momento a movimentação de entradas e saídas do parlamentar na Argentina. Segundo a corporação, não há até agora nenhum registro de entrada de Flávio ou de seus familiares no país vizinho.
A campanha do senador negou que ele tenha deixado o Brasil. Ainda assim, os principais aliados dele não conseguiram falar com o parlamentar no número de celular principal. A reportagem também tentou contato direto, e o aparelho está fora do ar.
Diante da falta de informações e do risco de fuga, essa ala da PF passou a defender a prisão preventiva. Na avaliação desses agentes, a medida permitiria, por exemplo, acionar a Interpol e tratar o senador oficialmente como foragido, por tentativa de obstruir investigações em curso.
De acordo com a coluna da Malu Gaspar, a PF pediu a apreensão do passaporte de Flávio às 21h16. Isso aconteceu sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral confirmar a vitória do presidente Lula, então candidato à reeleição.
A representação obtida pela coluna apoia o pedido em dois fatos. O primeiro é que o parlamentar aparece listado como "usuário master" de uma conta da Alcazar Holding, empresa do advogado Willer Tomaz, que tem cotas inclusive em aeronaves. O segundo é a declaração de Eduardo Bolsonaro em um podcast de 23 de outubro, na qual o ex-deputado defendeu a saída do irmão do país em caso de derrota. "Se meu irmão não ganhar [a eleição], sou a favor que ele deixe o país", disse Eduardo.
Principais informações
- Ala da PF avalia pedir prisão preventiva de Flávio Bolsonaro caso o passaporte não seja entregue até as 11h
- Entrega do documento foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF
- Infobae informou que o senador teria atravessado a Argentina e embarcado em jato privado com destino aos EUA
- PF não localizou registro de entrada de Flávio ou de familiares na Argentina; campanha nega que ele tenha deixado o Brasil
- Aliados não conseguem contato com o senador, e o celular dele está fora do ar

