Aiea encaminha caso nuclear do Irã ao Conselho de Segurança da ONU

Aiea encaminha caso nuclear do Irã ao Conselho de Segurança da ONU

O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) aprovou nesta quarta-feira, 9, uma resolução que encaminha o caso nuclear iraniano ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. A medida, a primeira do tipo contra Teerã em duas décadas, responde à falta de explicações consideradas satisfatórias pelo Irã sobre partículas de urânio encontradas em locais que não haviam sido declarados à agência.

A votação teve 23 votos favoráveis entre os 35 integrantes do Conselho de Governadores. Rússia, China e Níger votaram contra, oito países se abstiveram e um não participou da votação. A proposta foi apresentada por Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha.

A investigação que sustenta a decisão se arrasta há anos. Desde 2019, inspetores identificaram vestígios de urânio produzido por atividade humana em diferentes pontos do território iraniano, entre eles Varamin e Turquzabad.

Segundo a Aiea, Varamin abrigou entre 1999 e 2003 uma instalação não declarada relacionada ao processamento de minério de urânio e à produção de compostos usados no ciclo nuclear. Amostras ambientais coletadas posteriormente encontraram partículas compatíveis com esse tipo de atividade.

Em Turquzabad, a agência identificou material nuclear e equipamentos contaminados, parte dos quais teria sido retirada do local. A Aiea afirma que o Irã ainda precisa esclarecer a origem desses materiais e o destino que tiveram.

O regime iraniano sustenta que seu programa nuclear tem finalidade pacífica e rejeita as acusações. Teerã também recusou a resolução, acusou países ocidentais de usarem a Aiea para ampliar a pressão política sobre o país e atribuiu as dificuldades para a retomada das inspeções aos ataques contra suas instalações e ao conflito com Estados Unidos e Israel.

Outro ponto de preocupação envolve o acesso dos inspetores às instalações iranianas atingidas por ataques dos Estados Unidos e de Israel. O diretor-geral da Aiea, Rafael Grossi, afirmou nesta semana que a agência não consegue acompanhar de forma contínua os estoques de urânio enriquecido mantidos nesses locais.

Antes de perder o acesso regular, a Aiea estimava que o Irã possuía quase 441 quilos de urânio enriquecido a até 60%, dos quais 432,9 quilos haviam sido verificados pelos inspetores. Esse nível de enriquecimento supera o normalmente utilizado para geração de energia, mas permanece abaixo dos cerca de 90% associados ao uso militar.

Principais informações

  • A Aiea aprovou resolução que encaminha o caso nuclear do Irã ao Conselho de Segurança da ONU, a primeira medida do tipo em duas décadas.
  • A decisão foi motivada pela falta de explicações do Irã sobre partículas de urânio achadas em locais não declarados.
  • A resolução teve 23 votos favoráveis entre 35 integrantes; Rússia, China e Níger votaram contra.
  • A Aiea perdeu acesso contínuo a instalações atingidas por ataques dos EUA e de Israel.
  • Antes disso, a agência estimava 441 quilos de urânio enriquecido a até 60% no país, dos quais 432,9 quilos verificados.

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