Mensagens mostram Vorcaro comparando proximidade do Banco Master com governo Lula à dos irmãos Batista

Diálogos do banqueiro Daniel Vorcaro revelados em documentos que tiveram o sigilo retirado na sexta-feira (11), no âmbito da investigação sobre o Banco Master, mostram que ele comparou a proximidade da instituição com o governo Lula à relação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F, com o poder público.
A conversa começou em julho de 2024, quando o então diretor comercial do banco, Fernando de Goes Mascarenhas Filho, enviou a Vorcaro um vídeo do apresentador Tiago Pavinatto com críticas ao Master e sugeriu que o conteúdo fosse notificado judicialmente.
Vorcaro reagiu de outra forma. Afirmou que não havia nada demais no vídeo e que não se deveria dar palco a um blog sem expressão. Segundo ele, a única coisa dita era que o banco era próximo do governo, "igual irmãos Batista são. O que é verdade".
Na sequência, o banqueiro classificou a menção como oportunidade de divulgação e propôs encaminhar o material ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à base aliada: "Isso aí é marketing para nós. Manda pro Lula e pra base aliada".
Mascarenhas Filho respondeu que enviaria o vídeo a Guilherme Sodré e ao senador Jaques Wagner (PT-BA), que na época ocupava a liderança do governo no Senado Federal.
O diálogo foi revelado inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e integra o acervo documental da investigação sobre o Banco Master. A retirada do sigilo dos arquivos foi determinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Principais informações
- Vorcaro comparou a proximidade do Banco Master com o governo Lula à relação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F
- A conversa ocorreu em julho de 2024, após o então diretor comercial do banco, Fernando de Goes Mascarenhas Filho, enviar um vídeo com críticas ao Master
- Vorcaro minimizou as críticas e disse que o material era "marketing", propondo enviá-lo a Lula e à base aliada
- Mascarenhas Filho informou que encaminharia o vídeo a Guilherme Sodré e ao senador Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo no Senado
- O sigilo dos documentos foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF; o diálogo foi revelado pelo Estadão

