Delegados da PF pedem que Gonet se afaste de apuração sobre relatório do caso Master

Delegados da PF pedem que Gonet se afaste de apuração sobre relatório do caso Master

Neste sábado, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) tornará pública uma nota contra a decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de abrir apuração sobre o relatório da PF no caso Master. A entidade, que representa mais de 2,3 mil delegados, pede que Gonet se declare impedido e não atue nos procedimentos ligados aos fatos em que é citado.

O relatório foi solicitado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, e assinado por quatro delegados e três agentes da PF. O documento apontou relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e também citou Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O conteúdo foi divulgado na terça-feira, por decisão do relator.

Na sexta-feira à noite, Gonet respondeu a um pedido de esclarecimento do presidente do STF, Edson Fachin, informando que abriu apuração sobre possível ordem ou interferência externa na produção do relatório. O instrumento usado foi o Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial.

A ADPF pede o arquivamento do procedimento, que considera via inadequada para questionar ato do STF. A entidade também defende que os fatos revelados pela operação Compliance Zero sejam investigados por completo, sem selecionar as autoridades envolvidas.

Na avaliação da associação, delegados e servidores que participaram do relatório apenas cumpriram ordem judicial, sem espaço para decidir sobre a conveniência da determinação. A nota afirma ainda que o controle externo da atividade policial, previsto na Constituição e regulamentado por lei de 1993, não cria hierarquia nem serve para revisar decisões judiciais.

A ADPF argumenta que, se a PGR considera irregular a decisão que originou o relatório, a via correta é questioná-la no processo perante o STF, e não dirigir a controvérsia a quem cumpriu a ordem. Como Gonet é mencionado no relatório, a entidade sustenta que ele estaria impedido pelas regras de suspeição do Código de Processo Penal, e que o efeito objetivo da medida é intimidar investigadores.

A manifestação conclui que garantir que ninguém seja responsabilizado por obedecer a ordem judicial não é defesa corporativa, mas condição para o Estado brasileiro investigar sem receio de retaliação.

Principais informações

  • ADPF divulgará nota pública neste sábado contra apuração aberta por Paulo Gonet.
  • Entidade pede que Gonet se declare impedido por ser citado no relatório.
  • Relatório encomendado por André Mendonça apontou relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
  • ADPF pede arquivamento do procedimento e investigação ampla da operação Compliance Zero.
  • Associação afirma que delegados e agentes apenas cumpriram ordem judicial.

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