Met e John Galliano cancelam exposição após protestos por homenagem a estilista com passado racista e antissemita

Em 31 de agosto, o Metropolitan Museum de Nova York e o estilista John Galliano anunciaram em conjunto o cancelamento da exposição do Costume Institute que teria Galliano como personagem central. A decisão veio depois de protestos da comunidade judaica e de críticas de autoridades municipais à homenagem a Galliano, condenado na França por insultos racistas e antissemitas.
Galliano era diretor criativo da Christian Dior quando vídeos de 2011 o mostraram proferindo ataques contra dois clientes do café La Perle, em Paris. A um homem de origem asiática ele ameaçou de morte; a um cliente judeu disse que ele deveria estar morto. Em outro vídeo da mesma época, o estilista apareceu dizendo amar Hitler.
O escândalo levou à demissão de Galliano pela Dior e à condenação na Justiça francesa. Três anos depois, ele voltou à moda como diretor criativo da Maison Margiela. A homenagem no Met, anunciada no fim de julho, tinha como defensora a editora da Vogue, Anna Wintour.
A presidente do Conselho Municipal de Nova York, Julie Menin, encontrou-se com representantes do museu e definiu a homenagem como um soco no estômago da comunidade judaica em um momento de aumento do antissemitismo. A pressão, segundo o relato, teve diferentes origens.
Um dia antes do cancelamento, a administração do prefeito Zohran Mamdani também criticou a escolha, afirmando que Galliano causou dor aos judeus nova-iorquinos e que a independência do Met não o isola de críticas. O prédio do museu, na Quinta Avenida, pertence à prefeitura, que repassa recursos à instituição.
Em comunicado sobre o cancelamento, Galliano voltou a declarar arrependimento. Líderes religiosos de Nova York disseram acreditar nesse arrependimento, mas consideraram a celebração excessiva. O rabino Steve Leder afirmou que realizar o evento sinalizaria a normalização do ódio aos judeus no centro da cultura americana.
O diretor-executivo da Liga Antidifamação, Jonathan Greenblatt, disse que a homenagem seria um movimento errado em um momento de alta do antissemitismo. Para o colunista do New York Times Bret Stephens, no entanto, o papel do Met é apresentar arte de qualidade e não servir como inquisidor moral.
A discussão não se encerra com o cancelamento. Ela envolve os limites entre obra e artista, responsabilidade e esquecimento, e deve voltar ao centro do debate quando outros artistas de projeção passarem por casos semelhantes.
Principais informações
- Met e John Galliano cancelaram em 31 de agosto a exposição que homenagearia o estilista.
- Galliano foi condenado na França por ataques racistas e antissemitas cometidos em 2011.
- A comunidade judaica de Nova York, o Conselho Municipal e a prefeitura pressionaram pelo cancelamento.
- Líderes religiosos e a Liga Antidifamação consideraram a homenagem perigosa diante do aumento do antissemitismo.
- Bret Stephens, do New York Times, defendeu que o Met deve expor arte, sem atuar como inquisidor moral.

