ONU aprova resolução para corrigir distorção do tamanho da África em mapas

ONU aprova resolução para corrigir distorção do tamanho da África em mapas

A Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na sexta-feira (4), uma resolução que recomenda o uso de mapas-múndi com representação mais fiel da proporção entre os continentes. A proposta recebeu 164 votos favoráveis, seis abstenções — Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldova, Sérvia e Ucrânia — e 22 delegações não participaram. Os Estados Unidos foram o único voto contrário.

A iniciativa, conduzida pelo Togo com apoio da União Africana, busca corrigir distorções como a da projeção de Mercator, criada em 1569 para auxiliar a navegação. No modelo, áreas de altas latitudes aparecem ampliadas, o que faz a Groenlândia parecer ter tamanho semelhante ao da África. Na realidade, a África possui cerca de 30,3 milhões de quilômetros quadrados, contra aproximadamente 2,16 milhões da Groenlândia, sendo cerca de 14 vezes maior.

A resolução não tem força jurídica obrigatória e não define um mapa único, mas sinaliza preferência por sistemas como o Equal Earth, desenvolvido em 2018 pelo cartógrafo Tom Patterson com Bojan Savric e Bernhard Jenny. O modelo prioriza a equivalência entre áreas, embora ainda apresente deformações inerentes a qualquer representação plana. Para os criadores, o objetivo é manter uma aparência familiar do planeta sem sacrificar a proporção territorial.

Defensores da mudança sustentam que a redução aparente da África nos mapas reforça percepções equivocadas e configura uma forma de “colonialismo cartográfico”. Uma representação correta, afirmam, pode favorecer maior atenção de governos, empresas e investidores à região. O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, disse que os países africanos não pedem tratamento especial, mas uma representação compatível com suas dimensões geográficas.

A missão dos EUA na ONU classificou a iniciativa como parte de uma “agenda ideológica” e declarou que resoluções como essa desviam a atenção de temas essenciais para a paz e a prosperidade. A posição contrasta com decisões do governo Donald Trump, que adotou o nome “golfo da América” para o golfo do México, passou a chamar o lago Ontário de “lago América” e propôs renomear o Estreito de Ormuz como “estreito de Trump”.

Outra controvérsia envolvendo cartografia aconteceu em julho, quando uma apresentação usada em conferência sobre Aids no Rio de Janeiro exibiu países africanos em posições incorretas. O Departamento de Estado dos EUA assumiu a responsabilidade e tratou o episódio como confusão e deturpação.

Principais informações

  • Assembleia-Geral da ONU aprovou resolução que recomenda mapas com proporção real entre continentes.
  • Texto teve 164 votos a favor; Estados Unidos foram o único voto contrário.
  • África tem cerca de 14 vezes o tamanho da Groenlândia, mas a projeção de Mercator as mostra em proporções similares.
  • Campanha apoiada pelo Togo e pela União Africana ganhou força sob a hashtag #CorrectTheMap.
  • Resolução não é obrigatória e sugere adoção de projeções como a Equal Earth.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *