PF conclui que blogueiro maranhense não cometeu crime apontado por Alexandre de Moraes

Relatório sigiloso da Polícia Federal concluiu que o blogueiro maranhense Luís Pablo não cometeu violação de sigilo funcional, crime que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou ao autorizar busca e apreensão contra ele. O documento também afirma não ser possível "apontar com máxima certeza" que Pablo recebeu dinheiro para publicar sobre o ministro Flávio Dino.

Luís Pablo administra blog dedicado à política maranhense. Desde novembro de 2025, publicou reportagens questionando o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e familiares, o que o ministro nega. Em março, Moraes determinou operação policial; foram apreendidos dois celulares, um notebook e um pen drive, que ajudaram a identificar a fonte do jornalista.

Na decisão, Moraes citou risco à integridade física de Dino e suposto apoio material e financeiro a Pablo, além de indícios de tentativa de exclusão de mensagens. Ele também afirmou ter identificado indícios de perseguição, com base em representação da Procuradoria-Geral da República. A investigação começou a pedido de Dino. Inicialmente, o relator era Cristiano Zanin, mas o presidente do STF, Edson Fachin, redistribuiu o caso para Moraes por analogia com os inquéritos das fake news e das milícias digitais.

Com o material apreendido, a PF identificou a fonte de Pablo: o ex-secretário Raimundo Cutrim. Cutrim também é alvo de outro inquérito, relacionado ao assassinato de um funcionário da secretaria de Educação do Maranhão, caso sob relatoria de Dino, que governou o estado entre 2015 e 2022. A identificação levou a uma segunda operação de busca e apreensão, executada na semana passada.

O relatório analisa mensagens entre Cutrim e Pablo. A PF diz que o jornalista não participou de perseguição e tem postura tendenciosa contra Dino, produzindo matérias que o colocam como influente político contrário ao governo do Maranhão. O delegado Alberto Knoll ressaltou que Pablo está, em tese, acobertado pela liberdade de imprensa. Cutrim, por ser possível agente público que acessou dados restritos e os divulgou de forma irregular, pode se enquadrar no crime do artigo 325 do Código Penal, de violação de sigilo funcional.

O delegado também destacou a compra de um terreno por Pablo, com uma parcela paga pelo advogado Diogo Lima, ex-secretário de Habitação de São Luís na gestão de Edivaldo Holanda Júnior (PDT), aliado de Dino. A PF não associou essa conduta a perseguição. Mensagens mostram Pablo enviando críticas a Dino e Lima opinando e sugerindo alterações nos textos. Lima também foi alvo das buscas autorizadas por Moraes na semana passada.

Em uma troca de mensagens, os dois discutem transferência de R$ 100 mil de Lima para Danilo Cutrim Bezerra, veterinário que vendeu um terreno a Pablo. A PF não confirmou parentesco entre Danilo e Raimundo Cutrim, sobrenome comum no Maranhão, usado por cerca de 14.778 pessoas. O dinheiro ajudou a quitar parte de um imóvel rural de R$ 461 mil adquirido pelo jornalista, pago com depósitos de múltiplas fontes. Pablo agradeceu a Lima, que respondeu dizendo que não deixaria Pablo perder o sonho.

O relatório também registra notas fiscais da Assembleia Legislativa do Maranhão para o Blog Luís Pablo, com valores entre R$ 12 mil e R$ 17,5 mil. Pablo afirmou que são pagamentos por banners de anúncio, suspensos no mês passado por causa das eleições e da legislação eleitoral. Segundo ele, os valores são pagos por uma agência de marketing contratada pela Assembleia e não apenas para seu blog, mas para vários veículos de comunicação.

Principais informações

  • PF concluiu que Luís Pablo não cometeu violação de sigilo funcional, crime citado por Moraes na ordem de busca e apreensão.
  • Investigação começou a pedido de Flávio Dino e foi redistribuída a Moraes por analogia aos inquéritos das fake news e milícias digitais.
  • Fonte do blogueiro foi identificada como o ex-secretário Raimundo Cutrim, alvo de outro inquérito sob relatoria de Dino.
  • Relatório diferencia jornalista, protegido pela liberdade de imprensa, de possível agente público que vazou dados.
  • PF registrou transferência de R$ 100 mil de Diogo Lima para quitar parte de imóvel de R$ 461 mil comprado pelo blogueiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *