Zanin e Gilmar pedem à PF dados de celular de Vorcaro e criam mal-estar no caso Banco Master

Zanin e Gilmar pedem à PF dados de celular de Vorcaro e criam mal-estar no caso Banco Master

Os ministros do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram à Polícia Federal que enviasse diretamente a eles informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, um dos principais alvos das investigações sobre o Banco Master. A iniciativa é interpretada por integrantes da Corte como sinal de insatisfação com a condução do caso pelo ministro Edson Fachin.

Fachin assumiu a apuração e concentrou as decisões sobre o tema. A movimentação paralela dos dois colegas, porém, expôs a existência de frentes distintas dentro do tribunal diante da crise do banco. Ministros ouvidos reservadamente avaliam que o episódio representa mais um fator de pressão sobre Fachin, que já enfrenta dificuldades para administrar um inquérito envolvendo personagens com amplo trânsito em Brasília, de empresários e advogados a integrantes do próprio sistema de Justiça.

Nessa leitura, parte da Corte quer acompanhar de perto as informações produzidas pela investigação sem depender apenas das decisões de Fachin. Ao requisitar os dados diretamente à PF, Zanin e Gilmar deixaram de lado o caminho habitual de tramitação do caso, o que ampliou o desconforto entre os colegas e evidenciou divergências sobre a melhor forma de conduzir a crise.

O conteúdo do aparelho é considerado estratégico pelos investigadores. Os dados podem permitir reconstruir a lista de pessoas com quem o ex-banqueiro se relacionava e identificar conversas mantidas ao longo dos últimos anos com autoridades, empresários e advogados.

A participação de Gilmar Mendes ocorre em um contexto delicado. Conforme informações apuradas, Vorcaro procurou pessoalmente, em 2025, a advogada Guiomar Feitosa, então esposa do ministro, em seu escritório em Brasília, demonstrando interesse em contratar seus serviços. A negociação não avançou: segundo relato da própria advogada, ela pediu os números dos processos que ele pretendia discutir e deixou claro que não assumiria causas nas quais não acreditasse ou não pudesse oferecer uma perspectiva jurídica responsável. O banqueiro não apresentou os processos e não voltou a procurá-la. Guiomar Feitosa e Gilmar Mendes foram casados entre 2007 e o final de 2025.

As ligações do ex-banqueiro com nomes de destaque da advocacia não se limitam a esse episódio. Em janeiro de 2024, Vorcaro firmou um contrato de R$ 128 milhões com a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O valor expressivo colocou o ex-banqueiro no centro das atenções do meio jurídico e passou a integrar o conjunto de informações analisadas nas apurações sobre o Banco Master.

Com a determinação de Zanin e Gilmar, ministros do STF avaliam que a disputa pela condução do caso pode ganhar novos contornos. A expectativa é de que o conteúdo dos aparelhos ajude a esclarecer a extensão das relações mantidas pelo ex-banqueiro e produza desdobramentos inéditos na investigação, potencialmente alcançando novas autoridades e figuras públicas.

Principais informações

  • Zanin e Gilmar requisitaram à PF o envio direto de informações do celular de Daniel Vorcaro, alvo das apurações sobre o Banco Master.
  • Integrantes do STF leem a iniciativa como sinal de insatisfação com a condução do caso por Edson Fachin.
  • A medida contornou o caminho habitual de tramitação e aumentou o desconforto entre os ministros.
  • Em 2025, Vorcaro procurou a advogada Guiomar Feitosa, então esposa de Gilmar Mendes, para contratar seus serviços; a negociação não avançou.
  • Em janeiro de 2024, Vorcaro firmou contrato de R$ 128 milhões com Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes.

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