Líderes de Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte assinam pacto e pedem mudança constitucional

Os líderes da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte assinaram nesta segunda-feira, 14, um memorando de entendimento que, segundo eles, ameaça fragmentar o Reino Unido. No documento, os chefes dos três territórios semiautônomos pedem ao primeiro-ministro Andy Burnham que prepare o governo para uma mudança constitucional e afirmam que o futuro de suas regiões está na União Europeia.
O texto faz referência direta ao Parlamento britânico: "Para as pessoas que assistem a tudo isso nestas ilhas e ao redor do mundo, não poderia haver sinal mais claro de que o tempo de Westminster está chegando ao fim", declararam os signatários.
O porta-voz de Burnham, Tom Wells, minimizou a iniciativa. Segundo ele, o primeiro-ministro acredita firmemente na união e está mais concentrado em reduzir o custo de vida do que em debater mudanças constitucionais. "O Reino Unido é melhor quando as pessoas se unem em torno de nossos valores compartilhados e da resolução de problemas, em vez da divisão", afirmou.
Para Nicola McEwen, diretora do Centro de Políticas Públicas da Universidade de Glasgow, a cúpula tem importância simbólica, mas não produz efeito legal. "Não vejo a ameaça à união sendo maior hoje do que era ontem", disse ela.
O pacto ocorre sobre uma estrutura de governo descentralizada criada no fim dos anos 1990, quando leis britânicas concederam algum nível de autonomia política e autogoverno a cada país do Reino Unido, exceto a Inglaterra, por meio de parlamentos próprios. As tensões com o governo central em Londres, porém, permaneceram, e o Executivo britânico manteve o controle sobre questões nacionais e sobre assuntos relativos à Inglaterra.
John Swinney, da Escócia, e Michelle O'Neill, da Irlanda do Norte, defenderam a realização de referendos sobre independência em seus territórios. Rhun ap Iorwerth, do País de Gales, não apresentou cronograma para uma consulta popular. A Escócia já votou sobre o tema em 2014, quando a separação foi rejeitada por 55% a 45%. Segundo McEwen, o apoio à independência escocesa cresceu depois do Brexit.
Na Irlanda do Norte, o Acordo da Sexta-Feira Santa, de 1998, que encerrou três décadas de violência sectária, exige uma votação sobre a reunificação caso as pesquisas indiquem que ela seria aprovada. O governo britânico afirma que esse patamar não foi atingido.
Principais informações
- Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte assinaram um memorando de entendimento nesta segunda-feira, 14
- Os líderes pedem mudança constitucional e dizem que o futuro dos territórios está na União Europeia
- O porta-voz de Burnham minimizou a ameaça e disse que o governo prioriza reduzir o custo de vida
- Nicola McEwen afirma que a cúpula tem importância simbólica, mas nenhum efeito legal
- Swinney e O'Neill defendem referendos de independência; o País de Gales não apresentou cronograma

