Vídeos mostram resistência do governo Lula à desoneração da cesta básica na reforma tributária

Vídeos mostram resistência do governo Lula à desoneração da cesta básica na reforma tributária

Dois vídeos de reuniões realizadas durante a discussão da reforma tributária, obtidos com exclusividade pela Revista Oeste, mostram que a equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva resistiu à ampliação da desoneração da cesta básica. Nas gravações, o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, aparece debatendo a tributação dos alimentos com Bernard Appy, então secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda.

De acordo com o material, o setor supermercadista pressionava por uma cesta básica mais ampla e integralmente desonerada, enquanto Appy demonstrava resistência à ampliação da isenção. A reportagem foi publicada originalmente pela Revista Oeste, com informações de Carlo Cauti e Edilson Salgueiro.

O conteúdo contrasta com o discurso da atual campanha eleitoral. Inserções exibidas na televisão pela candidatura de Lula passaram a apresentar a desoneração da cesta básica nacional como uma das realizações do atual governo, medida citada entre as ações usadas para sustentar a narrativa de que a situação econômica das famílias brasileiras deve melhorar a partir de 2027.

O confronto também ocorreu fora dos bastidores. Em julho de 2023, Galassi apresentou a Appy e ao então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, um estudo sobre o impacto da proposta tributária em discussão no Congresso.

Segundo o levantamento, o modelo em debate previa alíquota de aproximadamente 12,5% para os produtos da cesta básica. Como parte desses alimentos já era isenta de impostos ou submetida a tributação menor, a Abras estimou que o total de tributos pagos sobre a cesta subiria cerca de 60% na média nacional.

Em entrevista à CNN Brasil, Appy contestou publicamente os números apresentados pela associação e afirmou que os cálculos estavam incorretos e poderiam levar à desinformação. A justificativa da equipe econômica era de que o estudo não levava em conta integralmente os créditos tributários e os impostos acumulados nas etapas anteriores da cadeia de produção.

Galassi foi a público responder às críticas e alertar sobre o risco de aumento dos preços dos alimentos. Em entrevista à BandNews TV, o presidente da Abras detalhou as estimativas da entidade por região: alta da carga tributária sobre a cesta básica de 93,5% no Sul, 69,3% no Centro-Oeste, 55,5% no Sudeste, 40,5% no Norte e 35,8% no Nordeste.

Em abril de 2024, Galassi retornou ao Ministério da Fazenda para insistir na inclusão de mais alimentos na cesta básica com imposto zero. A Abras chegou a propor o aumento da tributação sobre apostas esportivas como forma de compensar a perda de arrecadação que a desoneração total dos alimentos causaria aos cofres públicos.

Principais informações

  • Vídeos de reuniões da reforma tributária mostram Bernard Appy resistindo à ampliação da desoneração da cesta básica
  • Abras defendia cesta básica mais ampla e com imposto zero, enquanto a equipe econômica resistia à isenção
  • Estudo da Abras apontou alta de cerca de 60% na média nacional dos tributos sobre a cesta básica
  • Appy contestou os cálculos e falou em desinformação; Galassi detalhou estimativas de aumento por região
  • Em abril de 2024, a Abras voltou à Fazenda e propôs taxar apostas esportivas para compensar a desoneração

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