UE endurece discurso contra a China e promete usar todos os instrumentos para reduzir déficit comercial

UE endurece discurso contra a China e promete usar todos os instrumentos para reduzir déficit comercial

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, endureceu nesta quarta-feira, 16, o discurso do bloco contra a China e afirmou que a União Europeia está disposta a acionar os instrumentos de que dispõe para reduzir o desequilíbrio comercial com Pequim. A declaração foi feita no discurso anual sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Segundo Von der Leyen, o déficit europeu no comércio de bens com a China chegou a 1 bilhão de euros por dia no ano passado, situação que ela classificou como um ponto de inflexão. "Alguns dizem que o segundo choque da China está chegando. Mas ele já está aqui", afirmou. A dirigente relacionou o cenário ao processo de desindustrialização enfrentado pela Europa.

A presidente da Comissão disse que as negociações comerciais em curso entre Bruxelas e Pequim precisam apresentar resultados concretos. As conversas são conduzidas pelo comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič, e a UE espera avanços até outubro. Caso o diálogo não produza resultados suficientes, o bloco pretende recorrer aos mecanismos comerciais disponíveis. "Usaremos todos os instrumentos à nossa disposição para reequilibrar nossa relação", declarou.

Outro ponto abordado no discurso foi a dependência europeia da China no fornecimento de matérias-primas estratégicas, em especial terras raras. Von der Leyen anunciou a criação de uma corporação europeia voltada a matérias-primas críticas, que deverá atuar na obtenção e na formação de estoques de materiais essenciais para a indústria do bloco. A medida integra uma estratégia mais ampla de diversificação de fornecedores e de redução de vulnerabilidades externas.

A legislação europeia sobre matérias-primas críticas já prevê medidas como novos acordos comerciais, parcerias estratégicas e ações contra práticas comerciais consideradas desleais.

O endurecimento ocorre em um momento de preocupação europeia com a competitividade da indústria. Fabricantes chineses ganharam espaço em setores estratégicos, sobretudo no mercado automobilístico, enquanto empresas europeias enfrentam custos elevados e maior concorrência internacional.

Apesar do tom adotado, Bruxelas mantém as negociações com Pequim. A sinalização de Von der Leyen é de que a continuidade do diálogo dependerá de avanços concretos na redução dos desequilíbrios apontados pela UE.

O discurso sobre o Estado da União é realizado anualmente diante do Parlamento Europeu e serve para apresentar as prioridades políticas e econômicas da Comissão Europeia para o período seguinte.

Principais informações

  • Von der Leyen afirmou que o déficit europeu no comércio de bens com a China chegou a 1 bilhão de euros por dia no ano passado.
  • A presidente da Comissão Europeia disse que a situação atingiu um ponto de inflexão e prometeu usar todos os instrumentos disponíveis para reequilibrar a relação.
  • As negociações comerciais entre Bruxelas e Pequim, conduzidas por Maroš Šefčovič, precisam apresentar resultados concretos, com avanços esperados até outubro.
  • Von der Leyen anunciou a criação de uma corporação europeia voltada a matérias-primas críticas, diante da dependência chinesa de terras raras.
  • Bruxelas mantém o diálogo com Pequim, mas condiciona sua continuidade a progressos concretos na redução dos desequilíbrios.

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