Salesforce integra agentes de IA a WhatsApp, Slack e Teams e aponta Brasil como mercado-chave

A Salesforce anunciou que pretende levar seus agentes de inteligência artificial para dentro de aplicativos que empresas e consumidores já usam no dia a dia, entre eles WhatsApp, Slack, Teams e ChatGPT. A apresentação foi feita durante o Dreamforce, evento anual da companhia realizado em San Francisco, nos Estados Unidos.
A proposta é conectar esses canais aos dados e aos sistemas de operação dos clientes, de modo que o usuário não precise passar para uma interface nova para ter acesso à tecnologia. A plataforma Agentforce é apresentada como um motor capaz não só de responder perguntas, mas também de consultar informações e executar tarefas complexas de maneira autônoma nos ambientes digitais em que o trabalho já acontece.
A ofensiva ocorre em um momento de disputa pela porta de entrada da inteligência artificial nas empresas. Diante do avanço de plataformas como ChatGPT, da OpenAI, Claude, da Anthropic, e Gemini, do Google, a Salesforce quer manter seus sistemas de gestão visíveis e funcionais mesmo quando a tarefa é realizada em interfaces de terceiros.
O Brasil é tratado como mercado estratégico para essa expansão por causa do uso intenso de canais digitais. O volume elevado de interações por WhatsApp faz do país um candidato natural a casos de uso voltados ao consumidor final, que tendem a gerar impacto comercial relevante.
Um dos exemplos citados é a Arcos Dorados, operadora do McDonald’s na América Latina e no Caribe. A empresa usa dados em tempo real para montar estratégias de engajamento, como ações ligadas à Copa do Mundo de 2026 que reagem ao que acontece em campo e disparam mensagens automáticas. A iniciativa se apoia em uma transformação digital conduzida desde 2017, com ampliação do uso de aplicativos, delivery e programas de fidelidade.
No setor automotivo, a Ford utiliza ferramentas da Salesforce para organizar o grande volume de dados que alimenta suas aplicações. Segundo o material, a estruturação de um repositório central de informações, o data lake, é o que permite à inteligência artificial acompanhar o cliente desde a intenção de compra até o pós-venda.
Para ligar sistemas diferentes, a tecnologia usa o Model Context Protocol, padrão que permite a um agente de IA consultar dados e acionar recursos de várias aplicações sem conexões manuais feitas pelo usuário. O modelo, porém, traz desafios técnicos: quanto mais sistemas e modelos participam da mesma jornada, maior a necessidade de organizar permissões, responsabilidades e a segurança das informações compartilhadas.
A companhia também sinaliza que não quer dependência de um único modelo de linguagem. Foram apresentadas integrações que permitem usar Gemini, do Google, e Claude, da Anthropic, dentro de seu ecossistema, com o argumento de que o cliente não precisa escolher uma só IA para operar.
Uma parceria com a Anthropic permite que equipes de vendas levem fluxos de trabalho e regras de negócio da Salesforce para dentro do ambiente do Claude, atualizando informações comerciais e preparando reuniões sem trocar de plataforma. O Slack, que pertence à Salesforce, aparece como um dos principais espaços de colaboração dessa fase, com humanos e agentes de IA atuando lado a lado e comandos enviados por chat executando ações reais em sistemas de gestão integrados.
Com essa abordagem, a Salesforce busca deixar de ser apenas fornecedora de interface para se posicionar como uma camada de conectividade, de forma que processos e dados empresariais continuem integrados independentemente da ferramenta escolhida pelo cliente.
Principais informações
- A Salesforce quer colocar seus agentes de IA em canais já usados por empresas e consumidores, como WhatsApp, Slack, Teams e ChatGPT.
- A plataforma Agentforce é apresentada como um motor que consulta dados e executa tarefas complexas de forma autônoma.
- O Brasil é visto como mercado estratégico pelo alto volume de interações via WhatsApp.
- A Arcos Dorados, operadora do McDonald’s na América Latina, é citada como exemplo, com ações ligadas à Copa do Mundo de 2026.
- A empresa também apresentou integrações com Gemini, do Google, e Claude, da Anthropic, para evitar dependência de um único modelo de IA.

