Reino Unido restringe produtos de assentamentos israelenses e Israel anuncia retaliação

O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Edward Miliband, anunciou em 8 de setembro restrições comerciais a produtos de assentamentos israelenses na Cisjordânia. A decisão veio após o anúncio de licitação para o Corredor E1, faixa estratégica de 12 quilômetros quadrados entre Jerusalém e o assentamento de Ma’ale Adumim, onde vivem cerca de 40 mil judeus.
Segundo Miliband, a obra destruirá o projeto de dois Estados. Três dias antes, ele divulgou um vídeo acusando Israel de impedir o tratamento médico de palestinos em Gaza, dizendo que a entrada de remédios estaria bloqueada e que crianças morreriam à espera de atendimento.
A divulgação não foi seguida de pedido de investigação. Miliband citou relatos de médicos e trabalhadores humanitários, mas não apresentou dados verificáveis sobre quais medicamentos teriam sido impedidos, quando ou em que circunstâncias.
Dados oficiais de Israel apontam que mais de 22,5 mil toneladas de medicamentos e equipamentos médicos entraram em Gaza desde o cessar-fogo, e a ONU confirma que os suprimentos chegam a hospitais e unidades de saúde.
Depois das acusações, o secretário adotou tom conciliador, lembrando sua origem judaica e o direito de Israel à autodefesa.
A reação israelense veio no mesmo dia 8. O ministro do Exterior, Gideon Sa’ar, falou em interferência flagrante nos assuntos internos e no processo eleitoral de Israel; as eleições nacionais ocorrem em 27 de outubro.
Tel-Aviv decidiu fechar o consulado britânico em Jerusalém, proibir a entrada de 12 autoridades e cidadãos britânicos, alguns envolvidos no passado em atividades antissemitas ou anti-Israel, romper o acordo de treinamento de forças de segurança da Autoridade Palestina em Ramala e expulsar representantes britânicos do Centro de Coordenação Militar, que monitora o cessar-fogo em Gaza sob coordenação dos EUA.
Membros da oposição britânica criticaram Miliband, e analistas veem fins eleitorais na atitude. Para Maya Sion-Tzidkiyahu, do think tank Mitvim, há uma migração de eleitores do Trabalhismo para o Partido Verde, que acham o governo inglês pouco duro com Israel.
O embate entre Londres e Jerusalém se intensificou nos últimos três anos: Londres sancionou ministros israelenses, restringiu a exportação de armamentos, suspendeu negociações comerciais e reconheceu um Estado palestino.
Filho de judeus poloneses sobreviventes do Holocausto, Miliband recusou o conselho do rabino-chefe Ephraim Mirvis, para quem as sanções aumentam a tensão de judeus britânicos no Ano Novo Judaico e no Yom Kipur. Em 2 de outubro do ano passado, um atentado contra a sinagoga de Manchester deixou dois mortos e três feridos graves.
O presidente israelense, Isaac Herzog, chamou as sanções de grave erro de cálculo e interferência grosseira em eleições democráticas em um país soberano. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse que o Mandato Britânico na Terra de Israel acabou.
Principais informações
- O Reino Unido anunciou restrições comerciais a produtos de assentamentos israelenses na Cisjordânia em 8 de setembro
- Miliband acusou Israel de bloquear medicamentos em Gaza; Israel diz que mais de 22,5 mil toneladas de medicamentos entraram desde o cessar-fogo
- Israel fechou o consulado britânico em Jerusalém e proibiu a entrada de 12 cidadãos britânicos
- Analistas apontam motivação eleitoral na medida; as eleições israelenses ocorrem em 27 de outubro
- O presidente Isaac Herzog classificou as sanções como grave erro de cálculo

