Projeções apontam maioria democrata na Câmara dos EUA e avanço da oposição no Senado

Projeções das emissoras CNN e CBS divulgadas na madrugada desta quarta-feira, 4, indicam vitória do Partido Democrata na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. A apuração não havia terminado: à 1h29 de Brasília, os democratas somavam 152 cadeiras e os republicanos, 95, de um total de 435. O controle da Casa exige 218 deputados.
A maioria permite ao partido comandar comissões, convocar autoridades, investigar decisões da Casa Branca e barrar propostas republicanas que dependam da Câmara, inclusive as de Orçamento. Também abre caminho para processos de impeachment, embora uma destituição exija dois terços do Senado.
No Senado, a oposição avançou em estados tradicionalmente republicanos. Antes da votação, os republicanos controlavam a Casa por 53 a 47, contados os dois independentes alinhados aos democratas; a maioria exigia ganho líquido de quatro cadeiras. O comando seguia indefinido, à espera de disputas em apuração.
No Texas, o democrata James Talarico, 37 anos, derrotou o procurador-geral Ken Paxton, 63, apoiado por Trump. O estado, que votou em Trump em 2024, não elegia um democrata para cargo estadual havia mais de três décadas. A campanha de Talarico focou o custo de vida e controvérsias envolvendo Paxton, numa das disputas legislativas mais caras da história do país.
Houve vitórias democratas também na Carolina do Sul, onde Annie Andrews derrotou Darline Graham — o estado não elegia um democrata ao Senado desde 1998 —, e na Carolina do Norte, com Roy Cooper superando Michael Whatley. Em Ohio, Sherrod Brown venceu Jon Husted; no Kansas, Adam Hamilton derrotou Roger Marshall. Jon Ossoff foi reeleito na Geórgia e Chris Pappas ficou com a vaga aberta por Jeanne Shaheen em New Hampshire.
Trump escreveu no Truth Social que os republicanos teriam vencido "de lavada" se seu nome estivesse na cédula e disse ao New York Times aceitar o resultado, manifestando disposição para trabalhar com os democratas. O novo Congresso toma posse em 3 de janeiro de 2027; Hakeem Jeffries, reeleito por Nova York, pode assumir a presidência da Câmara, escolhida pelos deputados.
Nos governos estaduais, Keisha Lance Bottoms derrotou Rick Jackson na Geórgia e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um estado americano; Gina Hinojosa venceu Greg Abbott no Texas e Amy Acton superou Vivek Ramaswamy em Ohio. Na Flórida, Byron Donalds foi eleito para suceder Ron DeSantis e Ashley Moody ganhou a disputa ao Senado. Em Nova York, Kathy Hochul foi reeleita.
O custo de vida dominou as preocupações do eleitorado. Levantamento citado pela Reuters apontou que cerca de três quartos dos entrevistados estavam insatisfeitos ou irritados com os rumos do país, e aproximadamente 70% queriam mais fiscalização do Congresso sobre o presidente. A guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro, e a alta dos combustíveis também pesaram na campanha.
Principais informações
- CNN e CBS projetaram maioria democrata na Câmara; às 1h29 de Brasília eram 152 cadeiras democratas contra 95 republicanas, de 435 no total.
- A maioria na Câmara permite comandar comissões, convocar autoridades e investigar a Casa Branca, além de barrar projetos republicanos.
- No Senado, os democratas venceram em estados como Texas, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Ohio e Kansas; o controle da Casa ainda dependia da apuração.
- Trump disse que aceita o resultado e afirmou estar disposto a trabalhar com os democratas; o novo Congresso toma posse em 3 de janeiro de 2027.
- O custo de vida foi a principal preocupação do eleitorado, e cerca de três quartos dos entrevistados em pesquisa citada pela Reuters se diziam insatisfeitos com os rumos do país.

