PF aponta que Vorcaro via proximidade do Banco Master com governo Lula como estratégia de marketing

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tratava a proximidade da instituição com o governo Lula como uma vantagem comercial e sugeriu explorá-la como marketing. O conteúdo veio a público depois que o ministro André Mendonça, relator dos casos no Supremo Tribunal Federal, determinou o levantamento do sigilo das investigações.
O episódio central ocorreu em julho de 2024. Fernando de Goes Mascarenhas Filho, então diretor comercial do Master, encaminhou a Vorcaro um vídeo do apresentador Tiago Pavinatto com críticas ao banco e sugeriu que o material fosse alvo de notificação. O banqueiro reagiu com despreocupação, minimizou as críticas e destacou justamente o trecho em que se mencionava a relação da instituição com o governo federal, dizendo que nada de excessivo havia sido dito.
Na sequência, segundo os investigadores, Vorcaro propôs que a relação com o governo Lula fosse usada como marketing para o banco e pediu que o conteúdo fosse enviado ao presidente e à base aliada. Mascarenhas respondeu que mandaria o material a “tio Guiga e Jaques”, referência que, conforme apurado pela PF, seria a Guilherme Sodré e ao senador Jaques Wagner (PT-BA).
As mensagens analisadas também revelam negociações envolvendo um imóvel de alto padrão em Salvador. De acordo com a Polícia Federal, Jaques Wagner repassou a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, o contato de um gerente da construtora responsável pelo empreendimento residencial Poème Horto. O apartamento era avaliado em R$ 2,45 milhões e a operação tinha como interessada a filha do senador.
Em junho, Wagner reconheceu publicamente que pretendia ajudar a filha na aquisição do imóvel e afirmou que Augusto Lima poderia comprá-lo inicialmente para, depois, revendê-lo a ele.
Toda a documentação integra o conjunto de investigações sobre o Banco Master que estavam sob sigilo no STF. A decisão de André Mendonça de abrir os autos abrangeu não apenas o caso envolvendo Jaques Wagner, mas também apurações relacionadas ao filme “Dark Horse”, ao ex-governador Cláudio Castro e a Ciro Nogueira.
Principais informações
- Mensagens da PF mostram Daniel Vorcaro tratando a proximidade do Banco Master com o governo Lula como vantagem comercial.
- Vorcaro propôs usar essa relação como marketing e enviar material ao presidente e à base aliada, segundo os investigadores.
- O então diretor comercial Fernando de Goes Mascarenhas Filho citou “tio Guiga e Jaques” ao responder, referência a Guilherme Sodré e ao senador Jaques Wagner.
- A PF aponta que Wagner repassou contato de um gerente de construtora a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, em negociação de apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador.
- O sigilo dos autos foi levantado pelo ministro André Mendonça, do STF, abrangendo também investigações sobre o filme “Dark Horse”, Cláudio Castro e Ciro Nogueira.

