Nutricionista explica o que a ciência já sabe sobre soja e menopausa

Nutricionista explica o que a ciência já sabe sobre soja e menopausa

A nutricionista Sabina Donadeli explicou, em entrevista ao programa A Força do Agro, da Sentido Horário, como as isoflavonas — compostos bioativos presentes na soja — interagem com os receptores de estrogênio e quais efeitos a ciência já identificou no consumo do grão durante a menopausa.

As isoflavonas têm estrutura semelhante à do estrogênio, hormônio cujos níveis diminuem nessa fase da vida. De acordo com a especialista, isso não significa que a soja substitua o hormônio nem que funcione como tratamento para todos os sintomas característicos do período.

Donadeli afirmou que estudos e metanálises associam o consumo de soja à redução do LDL, conhecido como colesterol ruim. O resultado chama atenção porque, na menopausa, as mulheres podem apresentar alterações no perfil de gordura e maior preocupação com a saúde cardiovascular.

Sobre as ondas de calor, os fogachos, a nutricionista ressaltou que ainda não há comprovação científica suficiente. Algumas mulheres relatam melhora dos sintomas, mas os resultados variam conforme características individuais e a saúde intestinal. Parte dessa diferença pode estar relacionada às bactérias do intestino capazes de transformar determinadas isoflavonas em compostos biologicamente ativos — por isso, nem todas as mulheres respondem da mesma forma ao alimento.

Entre as opções de consumo estão a bebida de soja, o tofu e o edamame, o grão de soja verde. Donadeli citou como referências 250 ml de bebida de soja ou cerca de 100 gramas de tofu, quantidades que dependem do produto e do contexto alimentar, e recomendou variar as fontes de soja ao longo da semana. O grão fornece proteína vegetal e pode integrar uma alimentação equilibrada em diferentes fases da vida, para homens e mulheres.

A nutricionista também rebateu a crença de que a soja provocaria o desenvolvimento de características femininas nos homens. Segundo ela, não há evidências científicas suficientes para sustentar esse temor.

Donadeli reforçou que a soja não substitui a terapia hormonal indicada para determinadas mulheres. A decisão sobre o tratamento deve ser tomada em consulta individual, com avaliação médica dos sintomas, do histórico clínico e dos riscos envolvidos. No programa, a menopausa foi abordada como uma etapa de transformação, autocuidado e novas possibilidades, com alimentação equilibrada, hábitos saudáveis e acompanhamento profissional contribuindo para a qualidade de vida durante o envelhecimento.

Principais informações

  • Isoflavonas da soja têm estrutura semelhante à do estrogênio, mas não substituem o hormônio nem tratam todos os sintomas da menopausa
  • Estudos e metanálises associam o consumo de soja à redução do LDL, o colesterol ruim
  • Não há comprovação científica suficiente de que a soja reduza as ondas de calor
  • A resposta ao alimento varia conforme características individuais e a saúde intestinal
  • A soja não substitui a terapia hormonal, e a decisão sobre o tratamento exige avaliação médica individual

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